segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Enid Awards - Os Melhores do Ano:



Depois de um dia polêmico, contando e recontando as coisas mais esdrúxulas que as nossas salas conferiram esse ano, chegamos a celebração máxima que vai dizer quem merece lugar especial no meu podium particular. A decisão foi dura, as categorias 'melhor filme' e 'melhor atriz' foram de decisões bem duras... mas tá aqui a minha lista. A minha cara. Entregando o jogo e comentando ao mesmo tempo, sintam-se a vontade para me esculhambar, ou parabenizar minhas escolhas.

São eles:

FILME (LÍNGUA INGLESA): Melancolia

TOP 10:

A Árvore da Vida
Cisne Negro
Namorados para Sempre
Caminho para o Nada
Caminho da Liberdade
Não me Abandone Jamais
Inverno da Alma
Tudo pelo Poder
Restrepo
Reino Animal / Toda Forma do Amor / Na Trilha do Assassino

* Primeiro de tudo: o 10o. lugar é um empate mesmo, entre 3 filmes que injustamente não foram aos cinemas, e que estão aqui também em sinal de protesto contra as distribuidoras brasileiras com suas péssimas políticas. 'Caminho para o Nada' é entre esses o único que ainda não estreou no Rio, mas é um filmaço com todos os méritos. Grandes filmes compunham esse top, e até o fim fui com a minha dúvida entre o filme de Malick e a grande obra vencedora. No fim das contas, o vencedor fui eu que assisti a todos esses grandes filmes.


FILME (NÃO-INGLESA): Cópia Fiel

TOP 10:

Incêndios
Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas
Um Sonho de Amor
Medianeras
O Garoto da Bicicleta
Cinco Dias sem Nora
Saturno em Oposição
Um Conto Chinês
Lola
Homens e Deuses

* 'Cópia Fiel'. Não tem mais né? A despeito de tantos grandes momentos que o Canadá, Tailândia, Itália (2 x!), Argentina (também 2 x!), Bélgica, México, Filipinas e França nos trouxeram, é das mãos do mestre Abbas Kiarostami que saiu um dos mais belos filmes da temporada 2011. Uma aula de cinema, uma aula de arte, uma aula de amor.


DIREÇÃO: Terrence Malick (A Árvore da Vida)

TOP 5:

Lars Von Trier (Melancolia)
Abbas Kiarostami (Cópia Fiel)
Darren Aronofsky (Cisne Negro)
Monte Hellman (Caminho para o Nada)
Peter Weir (Caminho da Liberdade)

* Difícil escolher um entre eles. Fico com o tour de force visual/emocional de Malick, que mexe comigo quantas vezes eu o retome.


ROTEIRO ADAPTADO: Christiane Jatahy & Lulu da Silva Teles (A Falta que nos Move)

TOP 5:

George Clooney & Grant Heslov (Tudo pelo Poder)
Alex Garland (Não me Abandone Jamais)
Irmãos Coen (Bravura Indômita)
David Lindsay-Abaire (Reencontrando a Felicidade)
Kevin Williamson (Pânico 4)

* Sou ousado sim. Mas também tenho bom gosto... quero ver alguém ousar dizer que o roteiro do último 'Pânico' não é irretocável. Mas meu preferido é mesmo a obra-prima que Chris Jatahy concebeu, no palco e nas telas.


ROTEIRO ORIGINAL: Abbas Kiarostami (Cópia Fiel)

TOP 5:

Lars Von Trier (Melancolia)
Mark Heyman, Andrés Heinz & John McLaughlin (Cisne Negro)
Steven Gaydos (Caminho para o Nada)
Woody Allen (Meia Noite em Paris)
Apichatpong Weerasethakul (Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas)

* Categoria incrível, só com filmaços e grandes roteiros.


ATOR: Ryan Gosling (Namorados para Sempre / Tudo pelo Poder / Entre Segredos e Mentiras / Amor a Toda Prova)

TOP 5:

Colin Firth (O Discurso do Rei)
Javier Bardem (Biutiful)
James Franco (127 Horas)
Brendan Gleeson (O Guarda)
Gerard Depardieu (Mamute / Minhas Tardes com Margueritte / Potiche)

* Gosling, que ano... só filmões, só grandes atuações, só a confirmação de um talento. E ano que vem tem mais. De resto, o retorno de um mito francês, um grande irlandês, o britânico da hora, o americano da hora, e o Cara, direto da Espanha. Ou seja, o mundo muito bem representado nessa categoria.


ATRIZ: Juliette Binoche (Cópia Fiel)

TOP 5:

Natalie Portman (Cisne Negro / As Coisas Impossíveis do Amor)
Kirsten Dunst (Melancolia / Entre Segredos e Mentiras)
Charlotte Gainsbourg (Melancolia / A Árvore)
Yun Jeong-Hie (Poesia)
Michelle Williams (Namorados para Sempre)

* Binoche x Portman: por mim, é um empate técnico. Espetaculares atrizes num ano absurdo para ambas, e com a companhia mais que luxuosa das outras 4 excelentes intérpretes.


ATOR COADJUVANTE: Christian Bale (O Vencedor)

TOP 5:

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor / A Última Estação)
Brad Pitt (A Árvore da Vida)
Kevin Spacey (Margin Call / Quero Matar meu Chefe)
Phillip Seymour Hoffman (Tudo pelo Poder)
Chris Cooper (Os Muppets)

* Chegou a hora de Christian Bale. Depois de bater na trave por muitos anos, o ator galês conseguiu todos os louros da temporada por um papel intenso e emocionante. Com isso, deixou para trás adversários a altura.


ATRIZ COADJUVANTE: Melissa Leo (O Vencedor / Corações Perdidos / A Condenação)

TOP 5:

Marisa Tomei (Tudo pelo Poder / O Poder e a Lei / Amor a Toda Prova)
Jacki Weaver (Reino Animal)
Drica Moraes (Bruna Surfistinha)
Karin Viard (Potiche)
Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei)

* Como na categoria de ator, o mundo se encontrou aqui. EUA, Austrália, França, Inglaterra e até a nossa brazuca maravilhosa Drica. No entanto, a vitória é de Leo, uma grande atriz num momento sem igual da carreira, aproveitando todo e qualquer papel que cai em suas mãos.


ATOR REVELAÇÃO: Thomas Dóret (O Garota da Bicicleta)

TOP 5:

Pedro Bricio (A Falta que nos Move)
Hunter McCracken (A Árvore da Vida)
Frankie & George McLaren (Além da Vida)
Javier Drolas (Medianeras)
Miles Teller (Reencontrando a Felicidade)

* Uma criança belga é a melhor revelação do ano, é só ver o longa dos irmãos Dardenne pra entender. Aliás, junto com ele outros 3 meninos estão na lista, e são todos maravilhosos. Nota da casa: Bricio, você é show.


ATRIZ REVELAÇÃO: Mélusine Mayance (A Chave de Sarah / Ricky)

TOP 5:

Jennifer Lawrence (Inverno da Alma / X-Men: Primeira Classe / Um Novo Despertar)
Jessica Chastain (A Árvore da Vida)
Karine Teles (Riscado)
Helena Albergaria (Trabalhar Cansa)
Emma Stone (A Mentira / Amor a Toda Prova)

* Outra criança, mais uma vez falando francês. Arrasando nos 2 filmes, Mayance roubou uma disputa entre Chastain e Lawrence e ainda saiu assoviando. Na lista, as brasileirissimas Karine e Helena mostram porque estavam nos melhores filmes do ano.


FOTOGRAFIA: Emmanuel Lubeszki (A Árvore da Vida)

TOP 5:

Manuel Alberto Claro (Melancolia)
Matthew Libatique (Cisne Negro)
Russell Boyd (Caminho da Liberdade)
Luca Bigazzi (Cópia Fiel)
Phedon Papamichael (Tudo pelo Poder)


MONTAGEM: Daniel Rezende, Jay Rabinowitz, Hank Corwin, Billy Weber & Mark Yoshikawa (A Árvore da Vida)

TOP 5:

Andrew Weisblum (Cisne Negro)
Morten Hojbjerg (Melancolia)
Jon Harris (127 Horas)
Céline Ameslon (Caminho para o Nada)
Paul Tothill (Hanna)



FIGURINO: Cisne Negro

TOP 5:

Um Sonho de Amor
Potiche
Balada do Amor e do Ódio
O Palhaço
Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte II


DIREÇÃO DE ARTE: Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte II

TOP 5:

Um Sonho de Amor
Cisne Negro
O Palhaço
Balada de Amor e do Ódio
Sobrenatural


TRILHA SONORA: A Árvore da Vida

TOP 5:

Cisne Negro
Hanna
Biutiful
O Palhaço
Deixe-me Entrar


SOM: Transformers: O Lado Oculto da Lua

TOP 5:

Incontrolável
Bravura Indômita
Sobrenatural
Planeta dos Macacos: A Origem
Missão: Impossível - Protocolo Fantasma


EFEITOS ESPECIAIS: Planeta dos Macacos: A Origem

TOP 5:

A Árvore da Vida
Transformers: O Lado Oculto da Lua
Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte II
Super 8
Cisne Negro


MAQUIAGEM: Balada do Amor e do Ódio

TOP 5:

Harry Potter e as Reliquias da Morte - Parte II
A Minha Versão do Amor
Cisne Negro
X-Men: Primeira Classe
Sobrenatural


ELENCO: Tudo pelo Poder

TOP 5:

A Falta que nos Move
O Palhaço
Não me Abandone Jamais
O Discurso do Rei
O Vencedor

Enid Awards - Os Piores do Ano:

Pois é, 2011 tá indo embora... e com ele, essa coleção medonha de filmes pavorosos que vi esse ano. Antes da listinha de melhores, acho por bem mandar o gosto amargo da temporada e mostrar ao final que tudo não foi tão ruim. pelo que veremos a seguir a vontade de todos é de suicídio coletivo, eu sei... mas calma, na madruga de ainda hoje eu coloco pra vocês o melhor lado de 2011. Ausências sentidas em mais categorias? Sim, tem... não vi (graças a Deus!!!) muita coisa que parecia suspeita, então quase todos os super-heróis sumiram daqui. Nada de Thor, Capitão América, Lanterna Verde... em compensação, muita bomba-relógio (e nada blockbuster) que voces evitaram e eu embarquei. Fazer o que né... faz parte...

Vamos a essa seleção digna do título, os piores de 2011:


FILME: 11 11 11

TOP 10:

Dylan Dog e as Criaturas da Noite
Apollo 18
O Retrato de Dorian Gray
Como Você Sabe?
A Garota da Capa Vermelha
O Turista
A Casa dos Sonhos
O Noivo da Minha Melhor Amiga
Caça às Bruxas
Não Tenha Medo do Escuro


* Entre comédias ofensivas às mulheres e ao bom gosto, ficções onde literalmente tudo acontece, adaptações desnecessárias, gente jogando talento fora, um novo filme com Nicolas Cage... o campeão do ano é algo que pouca gente caiu, o Brasil entre eles. Desprezado pelo mundo afora, tivemos o desprazer de assistir a essa pérola e ainda encher o bolso dele de dinheiro... vamos melhorar de gosto né gente (eu inclusive)?


DIREÇÃO: Darren Lynn Bousman (11 11 11)

TOP 5:

Florian Van Haeckel Donmmersmarck (O Turista)
Jim Sheridan (A Casa dos Sonhos)
James L. Brooks (Como Você Sabe?)
Oliver Parker (O Retrato de Dorian Gray)
Catherine Hardwicke (A Garota da Capa Vermelha)


* O festival de sempre, das pessoas que acharam o talento e o jogaram no lixo; rezando para os 5 citados se concientizarem, e voltar correndo para o caminho da luz. O vencedor... bem, esse tá queimado mesmo.


ROTEIRO ADAPTADO: Dylan Dog e as Criaturas da Noite

TOP 5:

A Garota da Capa Vermelha
O Retrato de Dorian Gray
Transformers 3
Água para Elefantes
Amanhecer - Parte I


* Resolvi lembrar de muita bomba no papel, que acabou não ficando tão pavorosa na tela. As histórias, no entanto, são as pEores.


ROTEIRO ORIGINAL: Como Você Sabe?

TOP 5:

11 11 11
Burlesque
Noite de Ano Novo
Caça às Bruxas
O Noivo da Minha Melhor Amiga


* Eu vejo tanta falta de propósito, tanta mediocridade no meu vencedor, que nem demorei a declara-lo como tal. No mais, a ideia é a mesma: um bando de filme ruim produzido com algum dinheirinho a mais.


ATOR: Timothy Gibbs (11 11 11)

TOP 5:

Ben Barnes (O Retrato de Dorian Gray)
Brandon Routh (Dylan Dog e as Criaturas da Noite)
Robert Pattinson (Amanhecer - Parte I / Água para Elefantes)
Nicolas Cage (Caça às Bruxas / Furia sobre Rodas / Reféns)
Daniel Craig (A Casa dos Sonhos / Cowboys & Aliens)


* Em meio ao retorno de Cage ao seu lugar, a ausencia de Adam Sandler (apenas porque eu não vi Esposa de Mentirinha), temos a supremacia dos bonitões insossos, no caso de Barnes, ruim mesmo. E a vitória dada pelo meu amigo Thiago Arzakom a esse grande pilar de 2011, Timothy Gibbs. É ver para crer tanta ruindade.


ATRIZ: Kate Hudson (O Noivo da Minha Melhor Amiga / Pronta para Amar)

TOP 5:

Reese Witherspoon (Como Você Sabe? / Água para Elefantes)
Christina Aguilera (Burlesque)
Cher (Burlesque)
Amanda Seyfried (A Garota da Capa Vermelha / O Preço do Amanhã)
Katie Holmes (O Casamento do meu Ex / Não Tenha Medo do Escuro / Anti-Heróis)


* Tantas bonitinhas né... Seyfried, fraca que só; Holmes, é aquele filé de chuchu já conhecido; a dupla de Burlesque dispensa comentários; uma vencedora do Oscar que nunca o mereceu; e a vencedora, um arremedo da mãe cada vez mais péssima.


ATOR COADJUVANTE: Alan Cumming (Burlesque)

TOP 5:

Cam Gigandet (Burlesque / Reféns / A Mentira / Colegas de Quarto)
Jon Bon Jovi (Noite de Ano Novo)
Ashton Kutcher (Noite de Ano Novo / Sexo sem Compromisso)
Gary Oldman (A Garota da Capa Vermelha)
Denis Rafter (11 11 11)


* Quase que Gigandet mais uma vez ganha esse prêmio. Chegou bem pertinho mesmo, mas seu colega de elenco de Burlesque tem talento, o que torna ainda mais incompreensível sua presença/interpretação lá. No mais, um cantor que JURA que tem talento; um gostosão, e pronto; mais um ponto para o 'filme do ano'; e a vergonha de Oldman, num dos piores momentos da carreira. Ainda bem que 'O Espião que Sabia Demais' já estreia dia 13...


ATRIZ COADJUVANTE: Wendy Glenn (11 11 11)

TOP 5:

Jessica Alba (Entrando numa Fria Maior Ainda com a Família / O Assassino em Mim)
January Jones (Desconhecido / X-Men: Primeira Classe)
Naomi Watts (A Casa dos Sonhos)
Virginia Madsen (A Garota da Capa Vermelha)
Julie Christie (A Garota da Capa Vermelha)


* Alba, sempre ela... também nas raias de levar novo prêmio, levou uma rasteira no fim do ano por essa joia. Juro que não é perseguição, gente... tudo no filme é muito realçadamente ruim, e essa moça idem. A observar: cadê o talento da moça de Mad Men que todos dizem ter?; Watts mais perdida que cego em tiroteio nessa coisa; e o conceito de 'dupla feminina indicadas' que anulamente assola o Oscar chega até o fundo do poço.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Enid Awards - Nacional:

Tudo começou láááááá atrás, no quase extinto Orkut, na quase extinta comunidade 'Previsões para o Oscar'. Foi lá que nasceu essa minha necessidade quase privada de homenagear também eu os melhores do ano, e criar um 'prêmio' que eu desse anualmente aos mais representativos (e também os melhores) de cada temporada. A gincana consistia em apresentar os indicados, e os vencedores sair dos próprios membros da comunidade, que votariam em seus melhores dentro da 'cédula' que eu apresentava.

O tempo passou, o Orkut quase morreu... e o ex-Prêmio PPO do Cinema Brasileiro virou o Enid Awards, que irá se dividir em 2 competições distintas. Hoje apresentamos a competição nacional, com os indicados em 20 categorias. Em 2 semanas semanas (se Deus quiser!) eu volto aqui, e anuncio os vencedores. Sou bobo? Ah, devo ser... mas essa paixão pelo cinema é que promove essa saudável loucura mental.

Vamos aos indicados:


FILME:

A Falta que nos Move
Desenrola
O Palhaço
Riscado
Trabalhar Cansa


DIREÇÃO:

Christiane Jatahy (A Falta que nos Move)
Gustavo Pizzi (Riscado)
Jefferson De (Bróder)
Juliana Rojas & Marco Dutra (Trabalhar Cansa)
Selton Mello (O Palhaço)


ATOR:

Caio Blat (Bróder)
Fernando Bezerra (Transeunte)
Lourenço Mutarelli (Natimorto)
Rodrigo Santoro (Meu País)
Selton Mello (O Palhaço)


ATRIZ:

Cléo Pires (Qualquer Gato Vira-Lata)
Debora Falabella (Meu País)
Debora Secco (Bruna Surfistinha)
Leandra Leal (Estamos Juntos)
Simone Spoladore (Elvis & Madona)


ATOR COADJUVANTE:

Ailton Graça (Bróder)
Cassio Gabus Mendes (Bruna Surfistinha)
Moacyr Franco (O Palhaço)
Paulo José (O Palhaço)
Vinicius de Oliveira (Assalto ao Banco Central)


ATRIZ COADJUVANTE:

Cássia Kiss (Bróder)
Cláudia Abreu (Todo Mundo tem Problemas Sexuais)
Drica Moraes (Bruna Surfistinha)
Gisele Fróes (VIPs)
Giulia Gam (Assalto ao Banco Central)


ATOR REVELAÇÃO:

Daniel Passi (Desenrola)
Felipe Abib (180o.)
Igor Cotrim (Elvis & Madona)
Lucas Salles (Desenrola)
Pedro Brício (A Falta que nos Move)


ATRIZ REVELAÇÃO:

Cristina Amadeo (A Falta que nos Move)
Helena Albergaria (Trabalhar Cansa)
Karine Teles (Riscado)
Marina Vianna (A Falta que nos Move)
Olivia Torres (Desenrola)


ROTEIRO ORIGINAL:

Claudia Mattos (180o.)
Selton Mello & Marcelo Vindicatto (O Palhaço)
Gustavo Pizzi & Karine Teles (Riscado)
Juliana Rojas & Marco Dutra (Trabalhar Cansa)
Eryk Rocha & Manuela Dias (Transeunte)


ROTEIRO ADAPTADO:

Christiane Jatahy, Lulu Silva Teles, Pedro Brício, Kiko Mascarenhas, Cristina Amadeo, Marina Vianna & Daniela Fortes (A Falta que nos Move)
Rosane Svartman & Juliana Lins (Desenrola)
Marcelo Rubens Paiva (Malu de Bicicleta)
André Pinho (Natimorto)
Domingos Oliveira (Todo Mundo tem Problemas Sexuais)


FOTOGRAFIA:

Walter Carvalho (A Falta que nos Move)
Adrian Teijido (O Palhaço)
Ricardo Della Rosa (Os 3)
Matheus Rocha (Trabalhar Cansa)
Miguel Vassy (Transeunte)


MONTAGEM:

Sergio Mekler & Christiane Jatahy (A Falta que nos Move)
Quito Ribeiro (Bróder)
Marília Moraes & Selton Mello (O Palhaço)
Daniel Rezende (Os 3)
Caetano Gotardo (Trabalhar Cansa)


FIGURINO:

Leticia Barbieri (Bruna Surfistinha)
Marjorie Gueller (Capitães da Areia)
Joana Porto (Natimorto)
Kika Lopes (O Palhaço)
Fabíola Trinca (Riscado)


DIREÇÃO DE ARTE:

Valdy Lopes (Amanhã Nunca Mais)
Luiz Roque (Bruna Surfistinha)
Frederico Pinto (Onde Está a Felicidade?)
Claudio Amaral Peixoto (O Palhaço)
Fernando Zuccolotto (Trabalhar Cansa)


TRILHA SONORA:

Carlinhos Brown (Capitães da Areia)
Patrick de Jongh (Meu País)
Plínio Profeta (O Palhaço)
Ed Côrtes (Os 3)
Antonio Pinto (VIPs)


SOM:

Assalto ao Banco Central
Bróder
Capitães da Areia
O Palhaço
Trabalhar Cansa


ELENCO:

A Falta que nos Move
Bróder
Bruna Surfistinha
O Palhaço
Trabalhar Cansa


DOCUMENTÁRIO:

A Família Braz: Dois Tempos, de Arthur Fontes & Dorrit Harazim
Diário de uma Busca, de Flávia Castro
Lixo Extraordinário, de João Jardim, Lucy Walker & Karen Harley
Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro
Quebrando o Tabu, de Fernando Grostein Andrade


                                                                 XXX ooo XXX

No fim das contas, 'O Palhaço' foi lembrado 13 vezes, ficando na dianteira da disputa. Atrás dele, vem empatados 'A Falta que nos Move' e 'Trabalhar Cansa', cada um com 9 nomeações. 'Bróder' e 'Bruna Surfistinha' vem logo atrás, respectivamente com 7 e 6 indicações. Completando a lista dos indicados na categoria 'melhor filme', 'Riscado' conseguiu 5 indicações, enquanto 'Desenrola' ficou com 4. Os dois filmes mais assistidos no pais esse ano ('De Pernas pro Ar' e 'Cilada.com') não tiveram qualquer indicação. Os vencedores serão conhecidos dia 10 de janeiro.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Enid rumo ao Ouro - Golden Globes:



E eu continuo atrasado nas minhas postagens, eu sei... se voces soubessem como estou mal por isso. Críticas para escrever, fatos para contar, muita coisa... e o fim do ano se aproximando. Em meio a isso tudo, o Globo de Ouro chega para tentar mostrar um caminho nesse ano super indeciso. O que corre por aí é que, depois de muitos anos, não há realmente um único filme que justifique tanto amor (leia-se "um óbvio candidato para a vitória). A minha opinião? Isso é mais que ótimo. Alguém aguenta passar 2 meses ouvindo o mesmíssimo filme ganhar todos os prêmios prévios da imprensa americana?

Pois observando o quadro geral, as únicas categorias onde parecem haver algo parecido com uma 'decisão da crítica' são as de atriz e ator coadjuvante, e mesmo assim são situações muito peculiares. Tanto Michelle Williams quanto Albert Brooks estão comemorando, mas em realidades bem bizarras: a primeira tem 8 vitórias, e dezenas de candidatas em seu caminho, espalhadas em N número de vitórias; já Brooks tem 12 vitórias, mas já foram 20 prêmios até agora, e todas as outras 8 menções foram para um mesmo candidato, Christopher Plummer. Ou seja, são situações nada usuais mas que deixam a corrida com uma cara confortável que não se vê em outras categorias. Em direção e atriz coadjuvante, empate absoluto; em ator, uma maioria nada exemplar até agora; em filme estrangeiro, os 1000 vencedores diferentes de todo ano.

Os Globos vieram coroar o que talvez sejam os 2 filmes mais representativos da temporada até agora, 'O Artista' e 'Os Descendentes', cada vez mais na dianteira da disputa. Respectivamente com 6 e 5 indicações, conseguimos observar a clara vitória de ambos em diversas categorias, mantendo essa disputa acirrada até o final, e criando o nível de emoção e imprevisibilidade que estava sumida há muitos anos das disputas anuais cinematográficas americanas. Hoje ambos são os favoritos ao Oscar em particamente todas as categorias principais (apenas em atriz e ator coadjuvante eles não se metem), e apenas 'A Invenção de Hugo Cabret' parece ter fôlego para tentar furar essa briga. Ou seja, o momento é de ansiedade cada vez maior nas casas de Michel Hazanavicius, Alexander Payne e Martin Scorsese, o celebrado trio responsável por esses filmes e quem tem tudo para sair da noite do dia 26 de fevereiro rindo à toa.

Vamos às indicações do Globo?


FILME (DRAMA):

Os Descendentes
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Tudo pelo Poder
O Homem que Mudou o Jogo
Cavalo de Guerra


FILME (COMÉDIA/MUSICAL):

50%
O Artista
Missão: Madrinha de Casamento
Meia Noite em Paris
Uma Semana com Marilyn


DIREÇÃO:

Woody Allen (Meia Noite em Paris)
George Clooney (Tudo pelo Poder)
Michel Hazanavicius (O Artista)
Alexander Payne (Os Descendentes)
Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)


ROTEIRO:

Meia Noite em Paris
Tudo Pelo Poder
O Artista
Os Descendentes
O Homem que Mudou o Jogo


ATOR (DRAMA):

George Clooney (Os Descendentes)
Leonardo DiCaprio (J. Edgar)
Micheal Fassbender (Shame)
Ryan Gosling (Tudo pelo Poder)
Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo)


ATRIZ (DRAMA):

Glenn Close (Albert Nobbs)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Rooney Mara (Os Homens que não Amavam as Mulheres)
Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin)


ATOR (COMÉDIA/MUSICAL):

Jean Dujardin (O Artista)
Brendan Gleeson (O Guarda)
Joseph Gordon-Levitt (50%)
Ryan Gosling (Amor a Toda Prova)
Owen Wilson (Meia Noite em Paris)


ATRIZ (COMÉDIA/MUSICAL):

Jodie Foster (Carnage)
Charlize Theron (Jovens Adultos)
Kristen Wiig (Missão: Madrinha de Casamento)
Michelle Williams (Uma Semana com Marilyn)
Kate Winslet (Carnage)


ATOR COADJUVANTE:

Kenneth Branagh (Uma Semana com Marilyn)
Albert Brooks (Drive)
Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo)
Viggo Mortensen (Método Perigoso)
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)


ATRIZ COADJUVANTE:

Berenice Bejo (O Artista)
Jessica Chastain (Histórias Cruzadas)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Shailene Woodley (Os Descendentes)


ESTRANGEIRO:

The Flowers of War (China)
Terras de Sangue e Mel (Bósnia)
O Garoto da Bicicleta (Bélgica)
A Separação (Irã)
A Pele que Habito (Espanha)


ANIMAÇÃO:

As Aventuras de Tintin
Operação Presente
Carros 2
Gato de Botas
Rango


TRILHA SONORA:

O Artista
W.E.
Os Homens que não Amavam as Mulheres
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra


CANÇÃO:

"Hello Hello" (Gnomeu & Julieta)
"The Keeper" (Redenção)
"Lay Your Head Down" (Albert Nobbs)
"The Living Proof" (Histórias Cruzadas)
"Masterpiece" (W.E.)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Enid rumo ao Ouro: Balanço dos Prêmios



 Ai, eu sumi... eu sei, galera. Peço mil desculpas, mas fim de ano tá brabo de tão puxado, e essa época acontece muita coisa ao mesmo tempo na terrinha Hollywood. É muita coisa pra ler, e acaba faltando tempo mesmo. hoje vou tentar atualizar isso aqui tudo. Num rápido resumão, há muito tempo não víamos um ano tão aberto a possibilidades variadas em particamente todas as categorias. Apenas 'filme' e 'ator coadjuvante' parecem caminhar para uma maioria, mas mesmo assim nada esmagadora como já vimos acontecer. Quem não se lembra do rolocompressor Helen Mirren? E a dupla de 'Sideways', Thomas Haden Church e Virginia Madsen, que ganhavam tudo? E no ano de Christoph Waltz e Mo'Nique, cujos nomes eram só o que ouvimos durante 3 meses? De uns 5 anos pra cá então, a categoria filme era sempre um grande massacre: 'Quem quer Ser um Milionário?', 'Guerra ao Terror', 'Onde os Fracos não tem vez', 'A Rede Social'... nada mudava essas contantes. Por mais que 'O Artista' pareça ir para o mesmo lado, ainda assim vemos outros vencedores disputar as atenções com ele; nada que tire seu favoritismo, que parece bem claro que deve crescer até a reta final.

Vou colar aqui agora uma espécie de mosaico atualizado com o quadro de vencedores nas associações de críticos até o exato momento:


FILME: O Artista = 7 / A Árvore da Vida = 3 / Os Descendentes = 2 / A Invenção de Hugo Cabret = 1

DIREÇÃO: Michel Hazanavicius, Terrence Malick, Martin Scorsese, Nicolas Winding Refn = 3 / Steve McQueen = 1

ATOR: Michael Shannon = 3 / Michael Fassbender, George Clooney, Brad Pitt = 2 / Gary Oldman, Jean Dujardin, Paul Giamatti, Woody Harrelson = 1

ATRIZ: Michelle Williams = 4 / Tilda Swinton = 3 / Meryl Streep = 2 / Elizabeth Olsen, Viola Davis, Yun Jung-Hee = 1

ATOR COAD.: Albert Brooks = 8 / Christopher Plummer = 4 / Nick Nolte = 1

ATRIZ COAD.: Jessica Chastain, Melissa McCarthy, Shailene Woodley = 3 / Octavia Spencer = 2 / Vanessa Redgrave, Viola Davis = 1

ESTRANGEIRO: A Separação = 3 / A Pele que Habito = 2 / Cópia Fiel, Incêndios, As Quatro Voltas, Mistérios de Lisboa, I Saw the Devil, City of Life and Death, Kinyarwanda = 1

DOCUMENTÁRIO: A Caverna dos Sonhos Perdidos, Project Nim = 4 / Nostalgia da Luz, Tabloid, Paradise Lost 3 = 1

ANIMAÇÃO: Rango = 7 / As Aventuras de Tintin = 2 / Operação Presente = 1


Através dessa demonstração acima, voces podem ver que está tudo uma bagunça, onde apenas 'Rango', 'O Artista' e Albert Brooks tem alguma vantagem temporária sobre os outros. Há muitos anos não víamos uma corrida tão disputada, cheia de curvas e reviravoltas. Mesmo que na linha de chegada estejam quem exatamente já saibamos quem serão, tem uma deliciosa curiosidade para saber qual o próximo passo entre as associações. Onde de repente tudo poderá mudar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Voz de Enid: 'Noite de Ano Novo'

Antes de mais nada, a dica: eu não vi 'Idas e Vindas do Amor'. Fico imaginando se a estrutura do anterior era tão parecida com a desse aqui, num nível de ser o mesmo "filme" mesmo. Bem, espero que não... não sei se o mundo resiste a 2 filmes do naipe desse que acabei de assistir. O bizarro é constatar que Garry Marshall saca do riscado, entende a estrutura das comédias românticas e esteve a bordo do anterior, além de um clássico do gênero debaixo do braço ('Uma Linda Mulher'); não, na verdade o bizarro é constatar tudo, de cabo a rabo.

Obviamente pensado como algo com a finalidade única e exclusiva de fazer muito dinheiro, o filme nem tenta ter alguma qualidade aqui e ali. Ou melhor, 3 pobres diabos parecem estar mais empenhados que o resto: Robert DeNiro, Hilary Swank e Halle Berry. Com um elenco repleto de rostos mais que conhecidos (nem todos exatamente podem ser chamados de atores, muito menos de bons), é sintomático que os únicos vencedores do Oscar da turma se esforcem 1% a mais que o restante da moçada. Mas mesmo que fossem chamados Isabelle Huppert, Fernanda Montenegro, Juliette Binoche, Javier Bardem, Sean Penn e Daniel Day-Lewis acredito que não teríamos algo muito melhor do que se mostrou no fim das contas. E aí percebemos que as tais caras conhecidas são exatamente as pessoas que ainda precisam matar 20 leões por dia para continuar mostrando que são viáveis (e aí podemos sim incluir até o trio salvação do filme).

Com um roteiro simplesmente ridículo e descabido, que costura mal e porcamente tramas banais e sem suporte algum, além de serem batidas até dizer chega, nem direção nem elenco se entendem, e ora tudo tá meio desanimado e chato, ora fica relativamente histérico e apressado. Todos que me conhecem sabem que adoro filmes repletos de lacunas, ou seja, situações sem explicações em excesso, onde possamos muito mais imaginar do que ter respostas conclusivas, mas o filme em questão nunca tem estofo o suficiente para permitir que nos importamos com tais personagens, muito menos consegue soar inteligente o suficiente para sucitar análises intelectuais sobre seus desdobramentos não-vistos. E de mais a mais, as histórias mostradas no filme não tem um pingo de sutileza... pra que então sutileza no seu desenrolar? O nome disso: roteiro corrido e ruim.

É tanta situação que passa pela tela que fica difícil lembrar de tudo. É um tal de roqueiro que largou a namorada e quer voltar, homem doente terminal que maltratou a família e agora acha que merece morrer, mulheres modernas e atarefadas que não têm tempo para o amor, homens desanimados com o reveillon em questão e em sua maioria tristes, crianças querendo passar a queima de fogos beijando outras... olha, bem difícil hein... se o filme tem alguma cena boa? Vejam só... o final dele temos um apanhado de erros e curiosidades das gravações, onde vemos muita coisa que ficou de fora do corte final, e lá tem ao menos umas 5 cenas ótimas. No filme em si, o trio já citado dá conta da emoção de seus personagens e, se esquecermos o que eles estão dizendo, dá pra ficar numa boa com suas sinceras expressões; uma cena de um discurso de Josh Duhammel também me tocou. E só.

No mais, da-lhe Sarah Jessica Parker ainda jurando que é linda; Abigail Breslin tão maquiada que fica irreconhecível nos primeiros minutos; Michelle Pfeiffer provando que seu próximo par romântico talvez ainda nem tenha nascido, já que conseguiu chegar em Zac Effron (!!!); a linda Katherine Heigl mal vestida e mal penteada; Lea Michelle mostrando que deve correr de volta pro 'Glee' e rezar para a série nunca acabar; uma disputa sobre nascimento de bebês que começa ridícula e termina piegas (e igualmente ridícula)... muita coisa, gente.

Se tiver coragem, aventurem-se. Segurem nas mãos de DeNiro, Swank e Berry, e seja o que Deus quiser.


NOTA: D-

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Enid rumo ao Ouro - National Board of Review:


Conhecidos por uma certa dose de caretice em suas escolhas, o National Board of Review é aquele cícrculo de estudiosos e conhecedores de cinema mais que tradicionais, que costumam anualmente abraçar Clint Eastwood e George Clooney (e esse ano não foi diferente), geralmente sendo o primeiro prêmio da temporada, mas que os críticos de Nova York esse ano deram uma rasteira. De uns tempos para cá mais propenso a ousadias e escolhas diferenciadas, o NBR esse ano veio abraçando o cinema de Martin Scorsese na estreia com o universo inafnto-juvenil, enquanto declara seu amor ao cinema. As coisas começam a ficar interessantes também para 'Os Descendentes' e 'Margin Call', e uma luz se lança sobre Tilda Swinton. Vejamos os vencedores:


FILME: A Invenção de Hugo Cabret

TOP 10: O Artista / Os Descendentes / Drive / Harry Potter e as Relíquias da Morte II / Os Homens que não Amavam as Mulheres / Tudo pelo Poder / J. Edgar / A Árvore da Vida / Cavalo de Guerra


DIREÇÃO: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret)

ATOR: George Clooney (Os Descendentes)

ATRIZ: Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin)

ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)

ATRIZ COADJUVANTE: Shailene Woodley (Os Descendentes)

ROTEIRO ADAPTADO: Os Descendentes

ROTEIRO ORIGINAL: 50%

REVELAÇÃO: Felicity Jones (Like Crazy) & Rooney Mara (Os Homens que não Amavam as Mulheres)

DIREÇÃO REVELAÇÃO: J.C. Chandor (Margin Call)

ANIMAÇÃO: Rango

ELENCO: Histórias Cruzadas

ESTRANGEIRO: A Separação

TOP 5: 13 Assassins / Tropa de Elite 2 / Footnote / O Porto / À Queima-Roupa


DOCUMENTÁRIO: Paradise Lost 3

TOP 5: Born to be Wild / Buck / George Harrison / Project Nim / Senna


TOP 10 'Indies': 50% / A Outra Terra / Toda Forma de Amor / A Better Life / Cedar Rapids / Margin Call / Shame / O Abrigo / Precisamos Falar sobre o Kevin / Ganhar ou Ganhar

                                                              
                                                                 XXX ooo XXX


E eis que o maravilhoso favoritismo de 'Melancolia' se confirmou frente ao European Film Awards. O filme saiu consagrado com os prêmios de filme, roteiro, fotografia e direção de arte. Um inexplicável prêmio de direção a Susanne Bier (por 'Em um Mundo Melhor') não apagou o brilho das interpretações premiadas de Colin Firth ('O Discurso do Rei') e Tilda Swinton ('Precisamos Falar sobre o Kevin'). Alguma justiça houve, e Lars Von Trier voltou a virar o centro da atenções, dessa vez pelos motivos certos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Enid rumo ao Ouro - New York Film Critics Circle:


Ontem também já saiu o primeiro prêmio da temporada. Todos esperavam 'A Árvore da Vida', muitos esperavam 'A Invenção de Hugo Cabret', uma boa galera esperava 'Os Descendentes', os 'indies' esperavam qualquer coisa entre 'Drive' e 'Shame'... mas a celebração do cinema nos seus primeiros anos marcou seus primeiros pontos na corrida de 2011. 'O Artista', que muito ainda teimam em considerar o patinho feio da temporada, já começa a se transformar em cisne aos olhos de muitos incrédulos. O filme arrebatou os críticos da Big Apple e saiu de lá com os prêmios de 'filme' e 'direção'. A polêmica eleição do trabalho de Meryl Streep como atriz a coloca de vez como a favorita do ano a ser batida, e Brad Pitt ganha fôlego numa corrida onde muitos contendores querem roubar sua vaga. O amor por ele inclusive ficou bem claro, tendo em vista que 'A Árvore da Vida' e 'O Homem que Mudou o Jogo' tiveram expressivas participações na premiação. E o nome de Jessica Chastain surge com uma pergunta: conseguirá ela destaque suficiente por um dos 3 filmes onde foi lembrada como coadjuvante, a ponto de não atrapalhar sua corrida para a categoria? Bem difícil hein... vamos ao vencedores, e seus respectivos 'runners-up' (as famosas 'segundas opções'):


FILME: O Artista
 Runners-up: Melancolia & A Invenção de Hugo Cabret

DIREÇÃO: Michel Hazanavicius (O Artista)
 Runners-up: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret) & Lars Von Trier (Melancolia)

ATOR: Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo & A Árvore da Vida)
 Runners-up: Michael Fassbender (Shame) & Jean Dujardin (O Artista)

ATRIZ: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
 Runners-up: Michelle Williams (Uma Semana com Marilyn) & Kirsten Dunst (Melancolia)

ATOR COADJUVANTE: Albert Brooks (Drive)
 Runners-up: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor) & Viggo Mortensen (Método Perigoso)

ATRIZ COADJUVANTE: Jessica Chastain (Histórias Cruzadas, O Abrigo & A Árvore da Vida)
 Runners-up: Carey Mulligan (Shame) & Vanessa Redgrave (Coriolanus)

ROTEIRO: Steven Zaillian & Aaron Sorkin (O Homem que Mudou o Jogo)

ESTRANGEIRO: A Separação

DOCUMENTÁRIO: Cave of Forgotten Dreams

FILME DE ESTREIA: Margin Call

FOTOGRAFIA: Emannuel Lubeszki (A Árvore da Vida)

Enid rumo ao Ouro - e começa a temporada 2001...


Olá, galera!!! Depois de um tempinho sumido, volto aos braços dos meus fãs numa época mais que especial, pedindo desculpa pelo sumiço, cheio de críticas de filmes para postar (juro que começo a tentar à noite) e abrindo a temporada de ouro 2011 cheio de gás. Ontem teve o anúncio dos indicados aos Independent Spirit Awards, que nada mais é que o Oscar dos 'indies'. A boa notícia é que eles escolheram MUITA coisa boa pra indicar (e umas tantas completamente desconhecidas, como convém ao prêmio); a notícia bizarra é que eles continuam se enrolando nas nacionalidades das produções. Ok, eles consideram produções "britânicas" e/ou dirigidas por europeus como sendo 'filme estrangeiro' (e aí se justifica o aparecimento por lá de joias luminosas como 'Shame', 'Tiranossauro' e 'Melancolia'). Mas então britânicos e dinamarqueses são estrangeiros, mas franceses não? A verdade é que 'O Artista' conseguiu uma pá de indicações, assim como 'Drive', que é dirigido por um... dinamarquês!!!; a notícia ruim: onde foram parar os favoritos George Clooney e Glenn Close, que deveriam chegar com tudo, a começar por aqui e tiveram seus filmes lembrados? Ok. chega de tentar entender né... não tem como mesmo. Então vamos as indicações?


FILME:

O Artista
Toda Forma de Amor
Os Descendentes
Drive
O Abrigo

FILME DE ESTREIA:

Bellflower
Circumstance
The Dynamiter
Hello Lonesome
Pariah

DIREÇÃO:

Michel Hazanavicius (O Artista)
Mike Mills (Toda Forma de Amor)
Jeff Nichols (O Abrigo)
Alexander Payne (Os Descendentes)
Nicolas Winding Refn (Drive)

ATOR:

Demian Bichir (A Better Life)
Jean Dujardin (O Artista)
Ryan Gosling (Drive)
Woody Harrelson (Rampart)
Michael Shannon (O Abrigo)

ATRIZ:

Lauren Ambrose (Think of Me)
Rachael Harris (Natural Selection)
Adepero Oduye (Pariah)
Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene)
Michelle Williams (Uma Semana com Marilyn)

ATOR COADJUVANTE:

Albert Brooks (Drive)
John Hawkes (Martha Marcy May Marlene)
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
John C. Reilly (Cedar Rapids)
Corey Stoll (Meia Noite em Paris)

ATRIZ COADJUVANTE:

Jessica Chastain (O Abrigo)
Anjelica Huston (50%)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Harmony Santana (Gun Hill Road)
Shailene Woodley (Os Descendentes)

ROTEIRO:

O Artista
Toda Forma de Amor
Os Descendentes
Footnote
Ganhar ou Ganhar

ROTEIRO DE ESTREIA:

A Outra Terra
Cedar Rapids
50%
Margin Call
Terri

FOTOGRAFIA:

O Artista
Bellflower
The Dynamiter
Meia Noite em Paris
The Off Hours

ESTRANGEIRO:

O Garoto da Bicicleta
Melancolia
A Separação
Shame
Tiranossauro

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Voz de Enid: "Amores Imaginários"



O cinema de Xavier Dolan chegou pra mim como burburinho, há mais de 2 anos atrás, num desses Festivais do Rio. Um grande amigo falou que 'não deveríamos perder "Eu Matei Minha Mãe", que tinha causado sensação em mostras paralelas do Festival de Cannes daquele ano'. Confiando no tal amigo, fui sem pestanejar ou ao menos ler a sinopse. Em todos que fizeram como eu naquele 2009, o mesmo impacto: aos 20 anos, um jovem canadense estreava na direção, no roteiro e a frente das câmeras, surpreendendo triplamente. Sorte de principiante, gritaram muitos... no entanto, ninguém ficou indiferente àquele soco no estômago da juventude, que Dolan vivia, acarinhava e esmurrava ao mesmo tempo, e deixando a cara pra bater de forma clara.

Um ano depois, no Festival do ano passado, Dolan não é mais um estreante e essa estreia de hoje foi uma das grandes procuras de 2010 da mostra carioca. Sinal que o franzino rapaz tinha deixado uma marca tão indelével que nem as poucas nervuras que seu filme provoca no celuloide impresso são capazes de estancar o rio de saídas visuais marcantes, tanto no anterior quanto principalmente nesse novo, que ainda fala sobre si mesmo, mas que abre seu escopo para o resto dos seres, talvez sendo esse seu maior acerto.

Com um domínio superior de linguagem cinematográfica e referências a grandes clássicos do passado (o mais explícito deles, o seminal Truffaut de "Jules e Jim"), Dolan quer mostrar aqui que, se ainda não tem todas as manhas e escolhas acertadas que transformam um mero diretor numa referênci, ele já se arrisca e ousa de maneira surpreendente sem perder a identidade e signos que ele faz questão de criar e revisitar.

Os amigos Francis e Marie (a ótima Monia Chokri) levam uma vida de pura observação do mundo à sua volta, sendo ácidos, modernos, estilosos e moderninhos, tudo a mil por hora. A entrada do belo Nicolas (Niles Schneider) em cena os subverte, transformando essa dupla descolada em meros joguetes de situações ultra banais e corriqueira, arrancando-os de suas zonas de conforto e os jogando no lugar mais improvável possível: o mundo real. A partir da paixão avassaladora que ambos passam a nutrir pelo rapaz (sem nem ao menos saber sua preferência sexual), esse casal de amigos começam a se comportar das mesmas formas babacas e muito humanas que eles sempre fizeram questão de evitar e aviltar. E do conflito iminente, é que o mundo profundamente cor-de-rosa de ambos passa a ficar cada vez mais natural e igual ao de todos nós.

Para todo mundo que se apaixonou e se meteu em ridículas roubadas para provar essa paixão, uma grande pedida; para o grupo de jovens que nunca teve contato com sentimentos mais profundos ou se dá conta deles pela primeira vez, esse é o filme; para quem tantas vezes não soube o que fazer diante de algo totalmente novo e surpreendente, não perca. E se você apenas adorou "Eu Matei minha Mãe", não tenha reservas e se jogue na deliciosa trilha sonora e na explosão de sentimentos de "Amores Imaginários".


NOTA: A-

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

European Film Awards:



É chegada a hora dos europeus clamar os melhores do ano. Mesmo que ano passado eles tenham cagado no pau apontando 'O Escritor Fantasma' o melhor do ano em 6 categorias (trilha? ok... ator, para Ewan McGregor, concorrendo com Elio Germano, Luis Tosar e Jakob Cedergren? Não mesmo), geralmente o trabalho é excelente e a premiação mais que justa.

Esse ano o campeão de indicações segue a tendência superlativa, elegendo 'Melancolia' o principal filme da competição. Apesar das bizarras lembranças a 'O Discurso do Rei' (que, afinal, é um "vencedor do Oscar", né?) e a 'O Porto' (que eu não consigo achar essa coca-cola toda, não adianta), além do magnífico longa de Lars Von Trier também foram agraciados com indicações 'O Garoto da Bicicleta' e 'O Artista' (ok, vamos esquecer de 'Em um Mundo Melhor'... que afinal, é um "vencedor do Oscar", né? hehehehehe).

Abaixo, a lista de indicados:

FILME:

Em um Mundo Melhor
Melancolia
O Artista
O Discurso do Rei
O Garoto da Bicicleta
O Porto

DIREÇÃO:

Aki Kaurismäki (O Porto)
Bela Tárr (O Cavalo de Turim)
Irmãos Dardenne (O Garoto da Bicicleta)
Lars Von Trier (Melancolia)
Susanne Bier (Em um Mundo Melhor)

ATOR:


André Wilms (O Porto)
Colin Firth (O Discurso do Rei)
Jean Dujardin (O Artista)
Michel Piccoli (Habemus Papam)
Mikael Persbrandt (Em um Mundo Melhor)


ATRIZ:


Cecile De France (O Garoto da Bicicleta)
Charlotte Gainsbourg (Melancolia)
Kirsten Dunst (Melancolia)
Nadezhda Markina (Elena)
Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin)

ROTEIRO:

Em um Mundo Melhor
Melancolia
O Garoto da Bicicleta
O Porto

FOTOGRAFIA:

Essential Killing
Melancolia
O Artista
O Cavalo de Turim

MONTAGEM:

Melancolia
O Discurso do Rei
Triângulo Amoroso

CENOGRAFIA:

A Pele que Habito
Habemus Papam
Melancolia

TRILHA SONORA:

A Pele que Habito
O Artista
O Cavalo de Turim
O Discurso do Rei



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Previsões para o Oscar - 25/10:

Oi, pessoal. Olha eu aqui outra vez falando com voces sobre o careca dourado... se acostumem, porque até o final de janeiro (quando sai o anúncio dos indicados), Enid terá voltado aqui diversas vezes para falar sobre o mesmo assunto, 'again and again'... hehehehe...

Com novas exibições nos EUA, o circuito volta a se sacudir e os peões voltam a se mexer. Quem são os novos favoritos a indicações? Com os nomes e motivos em cada categoria, vamos a eles abaixo.


FILME:

O Artista
Os Descendentes
Cavalo de Guerra
Tão Forte e Tão Perto
Histórias Cruzadas
O Espião que Sabia Demais
O Homem que Mudou o Jogo
Tudo pelo Poder

Alt: J. Edgar; Meia-Noite em Paris; A Árvore da Vida; Hugo; Jovens Adultos; Shame

* Ontem li algo que me parece acertado: "se os acadêmicos votarem com o coração, dá 'O Artista'". Ano passado, vimos exatamente a vitória do coração ('O Discurso do Rei') sobre a razão ('A Rede Social'). Tá, mas e se o 'coração' dos votantes esse ano balançarem mais por outro filme que não essa classuda homenagem à velha Hollywood? E se for um coração partido pelo 11 de Setembro? E se o coração bater mais forte por um astro à moda antiga? E se todos realmente forem pegos por uma ode ao fim da discriminação racial? Ou se voltarmos só um pouquinho no tempo para observar que, às vezes, razão e emoção podem sim andar juntas?


DIREÇÃO:

Steven Spielberg (Cavalo de Guerra)
Michel Hazanavicius (O Artista)
Alexander Payne (Os Descendentes)
Woody Allen (Meia-Noite em Paris)
Stephen Daldry (Tão Forte e Tão Perto)

Alt: Clint Eastwood (J. Edgar); Terence Mallick (A Árvore da Vida); George Clooney (Tudo pelo Poder); Martin Scorsese (Hugo); Bennett Miller (O Homem que Mudou o Jogo)

* Todos não cansam de falar que o ano está fraco, mas porque será que os favoritos não parecem cessar? Por alto ou por baixo, muita gente tem chance sim de concorrer ao Oscar desse ano, mesmo que as mesmas pessoas não tivessem a menor chance em outros anos. A verdade é que, ao que tudo parece, esse pode sim ser um ano onde as categorias de 'filme' e 'direção' podem dividir; ok, isso não acontece há 5 anos, e nem na última premiação aconteceu, quando tudo parecia ir pra esse lado.


ROTEIRO ADAPTADO:

Alexander Payne, Nat Faxon & Jim Rash (Os Descendentes)
Bridget O'Connor & Peter Strong (O Espião que Sabia Demais)
George Clooney & Grant Heslov (Tudo pelo Poder)
Steven Zaillian & Aaron Sorkin (Moneyball)
Eric Roth (Tão Forte e Tão Perto)

Alt: Cavalo de Guerra; Histórias Cruzadas; Drive; Hugo; Os Homens que não Amavam as Mulheres

* Essa categoria continua intacta, e acho que o fato de 'Cavalo de Guerra' ainda estar na tentativa de subir pode ser um bom prognóstico do resultado do filme na competição; nunca duvidem do poder da grana alta que 'Histórias Cruzadas' fez.


ROTEIRO ORIGINAL:

Michel Hazanavicius (O Artista)
Woody Allen (Meia-Noite em Paris)
Diablo Cody (Jovens Adultos)
Sean Durkin (Martha Marcy May Marlene)
Drake Doremus & Ben York Jones (Like Crazy)

Alt.: Shame; Rango: J. Edgar: O Abrigo; Missão: Madrinha de Casamento

* Creio que o buzz de 'Shame' esteja começando agora; como os 3 primeiros são quase intocáveis, acho melhor os 2 filhotes de Sundance tomarem cuidado porque Abi Morgan (de 'Shame' e 'A Dama de Ferro') parece querer uma indicação de qualquer jeito.


ATOR:

George Clooney (Os Descendentes)
Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo)
Leonardo DiCaprio (J. Edgar)
Jean Dujardin (O Artista)
Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais)

Alt: Michael Fassbender (Shame); Michael Shannon (O Abrigo); Ryan Gosling (Tudo pelo Poder); Woody Harrelson (Rampart); Peter Mullan (Tiranossauro)

* A dança das cadeiras na categoria não para, e DiCaprio parece nada certo como outrora. Como seu filme/personagem tem peso máximo, ele não consegue sair daqui. Mas é só começar a competição, e a Fox Searchlight ver (ou não) os resultados de sua campanha para 'Shame' que poderemos avaliar melhor. Em tempo: não tirem o olho de Harrelson, pois dizem que é de fato 'a grande interpretação do ano'; só precisa que seu filme seja comprado.


ATRIZ:

Glenn Close (Albert Nobbs)
Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Charlize Theron (Jovens Adultos)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene)

Alt: Michelle Williams (Minha Semana com Marilyn); Olivia Colman (Tiranossauro); Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin); Felicity Jones (Like Crazy); Rooney Mara (Os Homens que...)

* Outra categoria onde nada mudou... por enquanto. O duro é observar que tanto Williams quanto Colman devem estar anos-luz melhores que Streep (e todos já vendem repúdio a ela, mesmo sem ver um filme que está literalmente escondido). Mas essas 2 atrizes tem tudo para ser as queridinhas dos críticos, e aí sim tudo pode mudar. E deverá.


ATOR COADJUVANTE:

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Max Von Sydow (Tão Forte e Tão Perto)
Kenneth Branagh (Minha Semana com Marilyn)
Brad Pitt (A Árvore da Vida)
Patton Oswalt (Jovens Adultos)

Alt: Albert Brooks (Drive); Philip Seymor Hoffman (Tudo pelo Poder); Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo); Nick Nolte (Warrior): Ben Kingsley (Hugo)

* A impressão que eu tenho é que, se 'A Árvore da Vida' quer subir na disputa, é com Brad Pitt que eles devem contar. Enquanto isso, Brooks não caiu nem morreu, apenas deu lugar a outro contendor que está no foco do momento; pode voltar a qualquer momento. De qualquer modo, é difícil imaginar uma outra disputa na categoria que não seja entre os dois veteranos do alto. E que (literalmente) vença o melhor.


ATRIZ COADJUVANTE:

Vanessa Redgrave (Coriolanus)
Berenice Bejo (O Artista)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Shailene Woodley (Os Descendentes)
Sandra Bullock (Tão Forte e Tão Perto)

Alt: Jessica Chastain (Histórias Cruzadas); Carey Mulligan (Shame); Janet McTeer (Albert Nobbs); Emily Watson (Cavalo de Guerra); Judi Dench (J. Edgar)

* A única em todas as categorias onde não mexi absolutamente nada, nem ordem. Mas queria muito acreditar que todas as 10 podem e devem concorrer, grandes atrizes/promessas que são.


ESTRANGEIRO:

ESTRANGEIRO:

A Separação (Irã)
In Darkness (Polônia)
Terraferma (Itália)
Footnote (Israel)
A Guerra está Declarada (França)

Alt: O Porto (Finlândia); Where do we Go Now? (Líbano); A Simple Life (Hong Kong); Pa Negre (Espanha); Pina (Alemanha)

* Ok, a categoria está muito fácil, eu sei... mas fazer o quê? A Academia não aceitou a indicação da Albânia, e com isso o Joshua Marston perdeu uma indicação fácil. Já a França, vem com um filme sobre um casal de vinte e poucos anos que descobre que seu filho de 3 anos está com câncer! Moleza, né? Eu sei que a categoria sempre apresenta surpresas tiradas da cartola (e com isso, mantenham o olho no México, na Noruega, na Islândia, no Canadá e no Japão). Mas a verdade é que aqui muito pouco pode ser dito antes da tal pré-lista sair, lá em janeiro... sempre dividida entre certezas e surpresas estapafúrdias, o vencedor sempre poderá sair de um grupo ou de outro.


FOTOGRAFIA:

Guillame Schiffman (O Artista)
Janusz Kaminski (Cavalo de Guerra)
Emmanuel Lubeszki (A Árvore da Vida)
Robert Richardson (Hugo)
Eduardo Serra (Harry Potter e as Reliquias da Morte II)

Alt: Tão Forte e Tão Perto; Os Homens que não Amavam as Mulheres; O Espião que Sabia Demais; J. Edgard; Os Descendentes


MONTAGEM:

Michael Khan (Cavalo de Guerra)
Christopher Tellefsen (Moneyball)
Matthew Newman (Drive)
Claire Simpson (Tão Forte e Tão Perto)
Kirk Baxter & Angus Wall (Os Homens que não Amavam as Mulheres)

Alt: O Artista; Hugo: O Espião que Sabia Demais; Tudo pelo Poder; Planeta dos Macacos


FIGURINO:

Mark Bridges (O Artista)
Michael O'Connor (Jane Eyre)
Sharen Davis (Histórias Cruzadas)
Sandy Powell (Hugo)
Jill Taylor (Minha Semana com Marilyn)

Alt: Anônimo; Albert Nobbs; Um Método Perigoso; Meia Noite em Paris; Cavalo de Guerra


DIREÇÃO DE ARTE:

Laurence Bennett (O Artista)
Dante Ferretti (Hugo)
Stuart Craig (Harry Potter e as Reliquias da Morte II)
Rick Carter (Cavalo de Guerra)
Will Hughes-Jones (Jane Eyre)

Alt: Anônimo; J. Edgar; Um Método Perigoso; Meia-Noite em Paris; Sherlock Holmes 2


TRILHA SONORA:

John Williams (Cavalo de Guerra)
Ludovic Bource (O Artista)
Howard Shore (Hugo)
Alexander Desplat (Tão Forte e Tão Perto)
Alberto Iglesias (O Espião que Sabia Demais)

Alt: As Aventuras de Tintin; Tudo pelo Poder; Os Homens que não Amavam as Mulheres; Super 8; Rango


EFEITOS ESPECIAIS:

Harry Potter e as Reliquias da Morte II
Planeta dos Macacos: A Origem
Transformers 3
A Árvore da Vida
Hugo

Alt: Capitão América; Thor; Super 8; X-Men: Primeira Classe; Lanterna Verde


MAQUIAGEM:

J. Edgar
Lanterna Verde
Harry Potter e as Reliquias da Morte II

Alt: O Artista; Piratas do Caribe 4; Hugo


ANIMAÇÃO:

As Aventuras de Tintin
Operação Presente
Rango

Alt: Rio; O Gato de Botas; Happy Feet 2; Carros 2

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Inté, Festival do Rio...

Mais uma vez atrasado, mais uma vez um pedido de desculpas. A justificativa? Não há mais neurônios intactos na massa encefálica do tio aqui, e aos poucos estou me recuperando do cansaço, que também é físico (e nem vou citar que irei me recuperar engatando outro festival em 2 dias...).

Mas nada como um dia após o outro, e cá estou para brevemente comentar os vencedores da competição nacional do Festival. A pergunta que se faz presente é: porquê, Jesus? Diante de uma competição de nível altíssimo (mas que, como toda competição, guardava seus erros crassos), sabe-se lá o que passou pela cabeça do juri ao decidir premiar os 3 piores filmes da competição. O grande vencedor da noite de encerramento foi 'A Hora e a Vez de Augusto Matraga', que de fato não era ruim, mas ficava anos-luz do nível estratosférico de ao menos 6 outros filmes; um filme imperfeito, a estreia no cinema de Vinicius Coimbra saiu vencedora dos prêmios de melhor filme (pelo juri oficial e pelo popular também), além dos merecidos (aí sim) troféus de melhor ator, ator coadjuvante e um especial, respectivamente para João Miguel, José Wilker e Chico Anysio, um trio excepcional.

O prêmio de atriz coadjuvante foi para Maria Luiza Mendonça, por 'Amanhã Nunca Mais', um filme bem fraco, mas que pelo menos rendeu um excelente momento no palco, com Lázaro Ramos recebendo o prêmio pela sua colega de elenco, que estava com o mesmo no telefone e não consegui acreditar na sua vitória. Infelizmente os prêmios acertados para a direção de Karim Ainouz ('Abismo Prateado'), para a melhor atriz Camila Pitanga (emocionada e dona de todos os elogios unânimes por 'Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios'), para 'Sudoeste' (Grande Prêmio do Juri e fotografia) e 'Mãe e Filha' (Menção Honrosa e fotografia também) não vão conseguir esconder o pavoroso prêmio de melhor roteiro dado a um dos piores roteiros não apenas da competição, mas do Festival como um todo. 'A Novela das 8' assim conseguiu não apenas estar na competição errada, como também marcar negativamente uma competição tão harmônica. Simplesmente vergonhoso.

Como não precisamos depender de júri nenhum, possamos cada um de nós fazermos nossas listas de melhores entre os filmes assistidos no Festival, não podemos? Do alto dos meus 62 títulos em 14 dias, faço agora minha postagem especial, apontando os melhores de 2011 em 14 categorias.


DIREÇÃO: Nicolas Winding Refn (Drive)

Top 5:
Bela Tárr (O Cavalo de Turim)
Andrea Arnold (O Morros dos Ventos Uivantes)
Asghar Fahradi (A Separação)
Petrus Cariry (Mãe e Filha)
Selton Mello (O Palhaço)


TRILHA SONORA: Jed Kurzel (Os Crimes de Snowtown)

Top 5:
Plínio Profeta (O Palhaço)
Alberto Iglesias (A Pele que Habito)
Franco Piersanti (Terraferma)
Cliff Martinez (Drive / Contágio)
Howard Shore (Um Método Perigoso)


FIGURINO: Kika Lopes (O Palhaço)

Top 5:
Steven Noble (O Morro dos Ventos Uivantes)
Catherine George (Precisamos Falar sobre o Kevin)
Sarah Finley (Weekend)
Marie-Chantale Vaillancourt (Funkytown)
Sharen Davis (Histórias Cruzadas)


DIREÇÃO DE ARTE: Claudio Amaral Peixoto (O Palhaço)

Top 5:
Daniel Flaksman (Corações Sujos)
Marie-Chantale Vaillancourt (Funkytown)
Polin Garbizu (Post Morten)
Mark Ricker (Histórias Cruzadas)
Peter Grant (Um Homem Engraçado)


MONTAGEM: Matthew Newman (Drive)

Top 5:
Veronika Jenet (Os Crimes de Snowtown)
Céline Ameslon (Caminho para o Nada)
Pauline Gaillard (A Guerra está Declarada)
Laure Gardette (Polissia)
Yvann Thibaudeau (Funkytown)


FOTOGRAFIA: Fred Kelemen (O Cavalo de Turim)

Top 5:
Robbie Ryan (O Morro dos Ventos Uivantes)
Mauro Pinheiro Jr. (Sudoeste)
Petrus Cariry (Mãe e Filha)
Adrian Teijido (O Palhaço)
Adam Arkapaw (Os Crimes de Snowtown)


ELENCO: A Separação

Top 5:
O Palhaço
Tiranossauro
Os Crimes de Snowtown
Polissia
Drive


ATOR REVELAÇÃO: Daniel Henshall (Os Crimes de Snowtown)

Top 5:
Moacyr Franco (O Palhaço)
Chris New (Weekend)
Tom Cullen (Weekend)
Deon Lotz (Beleza)
Lucas Pittaway (Os Crimes de Snowtown)


ATRIZ REVELAÇÃO: Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene / Paz, Amor e Muito Mais)

Top 5:
Louise Harris (Os Crimes de Snowtown)
Sareh Bayat (A Separação)
Sarina Fahradi (A Separação)
Sarah Mutch (Funkytown)
Dongyu Zhou (A Árvore do Amor)


ATOR COADJUVANTE: Gero Camilo (Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios)

Top 5:
José Wilker (A Hora e a Vez de Augusto Matraga)
Irandhir Santos (A Hora e a Vez de Augusto Matraga)
Chico Anysio (A Hora e a Vez de Augusto Matraga)
Viggo Mortensen (Um Método Perigoso)
Albert Brooks (Drive)


ATRIZ COADJUVANTE: Simone Spoladore (Sudoeste)

Top 5:
Karin Viard (Polissia)
Marina Foïs (Polissia)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Bryce Dallas Howard (Histórias Cruzadas)
Melissa Leo (Red State)


ATOR: Peter Mullan (Tiranossauro)

Top 5:
Dominic Cooper (O Dublê do Diabo)
Ryan Gosling (Drive)
Michael Shannon (O Abrigo)
Peyman Moaadi (A Separação)
Shahab Hosseini (A Separação)


ATRIZ: Olivia Colman (Tiranossauro)

Top 5:
Camila Pitanga (Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios)
Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Shannyn Sossamon (Caminho para o Nada)
Leila Hatami (A Separação)


ROTEIRO ADAPTADO: Olivia Hetreed (O Morro dos Ventos Uivantes)

Top 5:
Christopher Hampton (Um Método Perigoso)
Hossein Amini (Drive)
Beto Brant, Renato Ciasca & Marçal Aquino (Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios)
Cristian Jiménez (Bonsai)
Pedro Almodóvar (A Pele que Habito)


ROTEIRO ORIGINAL: Steven Gaydos (Caminho para o Nada)

Top 5:
Asghar Fahradi (A Separação)
Eduardo Nunes (Sudoeste)
Andrew Haigh (Weekend)
Justin Kurzel & Shaun Grant (Os Crimes de Snowtown)
Selton Mello & Marcelo Vindicatto (O Palhaço)


FILME: A Separação

Top 5:
Caminho para o Nada
O Morro dos Ventos Uivantes
Drive
Weekend
Aqui é o Meu Lugar

Menções Honrosas: O Cavalo de Turim / O Palhaço / Os Crimes de Snowtown / Michael / Polissia

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Enid no Festival do Rio 2011 - Dias 11, 12 e 13:

É, galera... seu sei que estou no furo máximo com voces. Mas tendo ainda 11 (ONZE!) críticas a escrever, tentarei colocar tudo em dia agora. Voces sabem, perdi minha credencial no que seria a véspera do "Dia 10", e por isso ele não existiu (a depressão nele sim). No dia 11, consegui uma nova (já que quem tem amigo, não morre pagão...) e já engatei os filmes restantes da Mostra, num final onde até apareceram filmes ruins, mas que um quarteto fez por onde simplesmente valer a pena os últimos 14 dias. Grandes filmes, senhores filmes... nossa, em êxtase por eles. Agora aqui, os comento de forma breve porém empolgado.

* A Separação:


Há 2 anos atrás Asghar Fahradi começou encantando a Alemanha com seu fascinante 'Procurando Elly', e de lá a fama desse novíssimo cineasta iraniano correu o mundo, comovendo cada lugar por onde passava. Cabe aos países agora (nós inclusive) importarmos seus primeiros 3 filmes, todos relativamente recentes. 'Elly' saiu do Festival de Berlim com o prêmio de direção para Fahradi e esse ano o diretor voltou ao Festival com esse novo trabalho que logo se configurou como o favorito do ano, não decepcionando e levando logo o Urso de Ouro. Mas o júri queria muito mais e deu também os prêmios de ator e atriz ao filme, representados por todo o elenco. Ou seja, o amor pelo filme era ainda maior do que se suponha, um amor mais que merecido.

Na trama (que ao menos pela segunda vemos, observamos que Fahradi parte sempre de algo banal "em tese"), de cara somos informados sobre a separação de Nader e Simin, casal que tem uma filha adolescente que discorda sobra uma possível viagem para outro país em busca da concretização dos seus sonhos. Nader não acredita nisso, enquanto Simin não vê outro futuro; além disso, o pai de Nader tem Alzheimer e necessita de cuidados, e para isso é contratada Razieh, que vai funcionar como uma espécie de acompanhante, enfermeira e doméstica na casa com a partida de Simin. Logo, toda essa estrutura virá abaixo quando um ato de violência for desferido contra Razieh, que está grávida e cujo marido não sabe que ela está trabalhando. Mentiras, segredos e opiniões contraditórias e volúveis farão parte da realidade desses 2 casais, e das demais pessoas que irão cercar o conflito gerado.

A estrutura dramática que Fahradi constroi mais uma vez é exemplar. Assim como em 'Procurando Elly', o filme é repleto de novas informações que a todo momento enriquecem e dão novo viés ao contexto mostrado, além de deixar tudo cada vez mais nebuloso dos pontos de vista ético e moral, acendendo discussões pertinentes. Não à toa um favorito antecipado ao Oscar de filme estrangeiro, não se engane que Fahradi está apenas falando de família aqui. Se você é iraniano, a política está entranhado em cada coisa que você faça, e um dos inúmeros talentos de Fahradi é falar de um microcosmo diminuto na superfície, e mergulhar na ótica do seu país de forma brilhante. Simplesmente genial.


NOTA: A+

* Caminho para o Nada:



Confessando aqui o que talvez seja um grande pecado: apenas ano passado, às vésperas do início do Festival de Veneza 2010, é que soube da existência de Monte Hellman. Tendo dirigido cerca de 13 filmes entre os anos 60 e 80, Hellman ficou mais de 15 anos sem dirigir nada até voltar aos curtas 5 anos atrás. Foi então levado a Itália ano passado para competir com esse filme, justamente no ano em que seu pupilo Quentin Tarantino foi presidente do júri. Como tio Tarantino idolatra a obra passada desse cineasta de quase 80 anos, esse homem que é considerado por muita gente como 'Papa do real cinema underground americano' saiu do Festival com um Prêmio Especial pela carreira. Ao assistir o filme, chegamos a conclusão que muita pressão deve ter feito Tarantino desistir de cnceder o Leão de Ouro a Hellman. Uma pena, porque 'Caminho para o Nada' é infinitamente superior a 'Um Lugar Qualquer', que sagrou-se vencedor.

Sacam 'Cidade dos Sonhos'? Pois a vibe é essa: um diretor obcecado com a adaptação para o cinema de um crime real que aconteceu na Carolina do Norte; uma blogueira que vendeu os direitos de seus escritos para Hollywood; uma atriz de quinta que se submete ao filme, ao diretor e aos poucos emerge dessa salada transformada; um investigador de uma seguradora que ronda a produção do tal filme. Junte isso ao crime em si, e as filmagens das cenas reais, e temos 3 linhas narrativas que misturam o tempo inteiro, criando fascínio a frente de nós. Como se trata do mesmo elenco representando várias versões de uma mesma situações, o jogo de espelhos da metaliguagem do filme enriquece gradativamente, e aos poucos nossa sanidade vai sendo colocada tão a prova quanto à das personagens.

A pressão sob a qual Tarantino sucumbiu com certeza seria bancada por David Lynch, já que o filme transpira situações 'lynchianas' a todo momento. Uma espécie de obra que não se explica e que sentimos a cada novo 'frame' como o bizarro pode conviver com a normalidade a todo tempo. Um elenco que entendeu a proposta do filme tem representado em Shannyn Sossamon a expressão máxima da entrega. Daqueles filmes que não irão demorar a se tornar 'cults', o filme é um 'neoclassico' instantâneo onde a cada nova virada por cima de sua estrutura de metalinguagem entendemos mais o desprezo por Hollywood nutrido por Monte Hellman. Ou por Mitchell Haven (é deliciosamente explícito o jogo das iniciais). Ou de ambos. Se deixe levar por imagens desconcertantes e compartilhe o prazer de uma experiência que não se consegue diariamente no cinema.


NOTA: A+

* Aqui é o Meu Lugar:



Da expectativa fenomenal que se formou em torno do encontro do diretor de 'Il Divo' e do astro americano vencedor de 2 merecidos Oscars, Cannes esse ano observou tal expectativa da forma mais escrota, como se estivessem decidindo que 'diante de tantos filmaços que vimos, chega de acharem que tudo é meravilhoso e vamos falar mal desse aqui'. Diante de um Sean Penn diferente do que imaginavam (mesmo que a bizarra imagem do astro já estivesse sendo divulgada bem antes da seleção para o Festival), a reação da imprensa e do juri foi ignorar. Com isso, perderam a chance de apreciar a contento um novo baile de direção de Sorrentino, um filme imune a defeitos.

Penn é Cheyenne, cantor de rock de sucesso nos anos 80 que hoje já não frequenta as paradas de sucesso e vive recluso numa mansão irlandesa. Ao lado da esposa (a grande Frances McDormand), Cheyenne não faz muita coisa a não ser visitar duas famílias de fãs seus e manter amizade com a irmã de um deles, tão excêntrica quanto ele. Ao tomar conhecimente da iminente morte do pai que ele não vê há 30 anos, o astro volta aos EUA, para o interior de sua família judia. E é durante o velório que ele é informado que seu pai teria achado o homem que o torturou no campo de concentração de Auschwitz. O que fazer mediante isso? Qual seria a função, a essa altura do campeonato, de tentar localizar esse homem? Cheyenne também não sabe as respostas, mas decide ir até ele pelas estradas americanas.

Um road-movie com imagens que remetem ao que de melhor Win Wenders já produziu, Sorrentino explora a atmosfera americana e extrai poesia de rodovias e cenários, sempre com o sarcasmo rasgado das frases que Penn profere. É graças ao roteiro conciso, à fotografia poderosa, à felicidade de encontrar mais um Sorrentino pleno de talento, que tudo que é menor é colocado de lado aos poucos pelo filme. Quando enfim percebemos como Sean Penn cresce e amadurece durante a projeção. Belíssimo.


NOTA: A+

* O Morro dos Ventos Uivantes:






Vejam a foto acima: este é Heathcliffe, quer voces queiram ou não. Não juntam o nome a pessoa porque Heathcliffe nunca foi retratado por um negro, embora provavelmente seja o que ele é. Tratado como um escravo pela família que o adotou, Heathcliffe cresceu observando a irmã de crianção Elizabeth. A diretora Andrea Arnold (dos incríveis 'Marcas da Vida' e 'Aquário') concebe a versão definitva do clássico de Emily Brönte. Sempre tratado com reverência e formalidade, o livro ganha aqui as nuances que Arnold disse sempre ter observado: a ligação daqueles personagens com o meio em que vivem, no caso ali as montanhas sem fim que os cercava; fazendo da natureza e da relação do homem com ela quase protagonistas, a diretora consegue como resultado seu melhor filme em 3.

A história é exatamente a mesma: após ser criado por uma família pouco abastada como filho, Heathcliffe logo percebe seu lugar quando o pai da família morre. O carinho que Elizabeth sentia por ele vai sendo diluído por tantos castigos que o irmão impinge a ele, e os anos passam. Heathcliffe foi embora, mas volta e encontra o amor de sua vida casado. Com posses, o rapaz vai tentar reconquistar a atenção de sua amada de forma pouco usual, e aos poucos eles vão saindo do torpor romântico e mergulhando na miséria de acusações e mágoas antigas.

Arnold sabe exatamente o que quer, e ao envolver toda a natureza nessa história de amor proibido clássica, obtém o resultado mais que perfeito, com um elenco de novatos simplesmente perfeito. Com a ajuda de uma
fotografia esplêndida. a diretora caputura imagens simplesmente da forma mais poética possível, e não demora a criar vínculo com ninguém mesmo que sua narrativa não seja exatamente um exemplo de reviravoltas e 'pseudo' ação. Na pungência de seu roteiro, Arnold acaba se aproximando do seus longas anteriores também nas imagens mais sensuais do Festival. Um filme imperdível.


NOTA: A+

* Amanhã Nunca Mais:


Escute um conselho de amigo, Lázaro: não aceite fazer nada por amizade. Não foi por nada além disso que ele, o fotógrafo Ricardo Della Rosa, o músico André Abujamra, e ainda Milhem Cortaz devem ter aceitado fazer a estreia de Tadeu Jungle na telona. Um mestre da propaganda, não aprendeu que uma coisa não é igual a outra, e se arrisca numa atividade completamente nova saindo completamente desfigurado.

Vemos aqui o médico anestesista Valter que tem uma missão bem simples pela frente, que é pegar o bolo de aniversário da filha e levar para a festinha. Mas valter tem um terrível problema: ele não consegue dizer 'não'. Então nessa levada, Valter vai quebrando o galho de todos, e sua esposa desejando a morte para ele, a hora que fosse.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Enid no Festival do Rio 2011 - Dia 9:

Um dia que começou ruim e terminou pavoroso; filmes completamente descartáveis foram assistidos. Porque não fiquei em casa no sábado? Bem, tudo acontece por um motivo... e agora estou aqui, sem minha credencial. O "Dia 10" não existiu, me joguei na cama... mas vai que algo ainda muda? Por enquanto, estão aqui minhas últimas impressões sobre o Festival do Rio esse ano (e de quatro filmes que tentam concorrer ao Oscar de filme estrangeiro do ano que vem):

* A Guerra está Declarada:


É muito bom ver um filme corajoso e diferenciado sobre um assunto que todos já trataram (os americanos então...). Como tudo já foi dito, e sempre das formas mais piegas possíveis, quando vem uma lufada de novidade tudo é tratado como um 'grande acontecimento'. Vejam, o filme não é perfeito... mas observo a escolha da França para que ele seja seu representante entre os filmes estrangeiros que tentam uma vaga no Oscar do ano que vem das atitudes mais maduras e acertadas que eles tomaram ultimamente. Trata-se do segundo filme de alguém que não está sossegado, e que não vai parar por aqui.

No caso, um casal. Valérie Donzelli e Jérémie Elkaïm são roteiristas do filme, e apenas ela a produtora. Também ela assina sozinha a direção, mas como ambos são também os protagonistas do filme e um casal também na vida real, dificilmente acreditamos que a direção do filme não tenha passado em algum momento pela mão de Elkaïm, até porque o filme mostra uma pequena parte da vida deles. O encontro romântico de Roméo e Juliette, um casal a quem não restava nada a fazer que não se apaixonar perdidamente um pelo outro (por infinitos motivos que o filme mostra nos brilhantes 10 minutos iniciais). Logo, vem um bebê não planejado, e eles viram uma família da forma que dá. Felicidade é a palavra de ordem, até o choque máximo: Adam tem um câncer no cérebro. Como um casal jovem e bonito se porta diante de tal monstruosidade do destino? Como lidar com um filho de 3 anos que pode morrer a qualquer momento?

O filme é dramático quando não tem como deixar de ser (afinal, voces leram a trama?), mas o esforço hercúleo de Donzelli e Elkaïm em não deixar essa situação se dramatizar ao extremo valem muitos aplausos. E na medida do possível eles conseguem transformar o que o cinema americano venderia como "a morte em vida", como o amadurecimento de duas pessoas numa fuga para não enlouquecer. Não é a toa que a foto acima é o poster oficial do filme e sua maior representação fotográfica. Afinal, a dor sempre vai existir; o que muda é a forma com que cada um de nós lida com ela.


NOTA: B-

* O Abrigo:


Michael Shannon não começou sua carreira semana passada. Com mais de uma década de serviços prestados a indústria cinematográfica, seu rosto marcante e expressões precisas demoraram a encontrar eco em Hollywood. Mas de uns tempos para cá seu barco começou a remar mais forte, talvez graças a sua performance arrasadora em 'Possuídos' (ao lado de Ashley Judd), e logo veio a primeira indicação ao Oscar como o esquizofrênico de 'Foi Apenas um Sonho'. Outras certamente virão, e sua nova tentativa é a bordo desse drama apocalíptico dirigido por Jeff Nichols (que deve ser muito amigo de Shannon, tendo em vista que ele é o protagonista de seus 3 filmes).

O filme mostra a vida de Curtis, um pai de família honesto e trabalhador que está tendo uns sonhos mais que estranhos. Nuvens de tempestade pavorosas se formam no céu, uma chuva viscosa e de tom marrom cai do céu, e revoadas de pássaros sobrevoam sua casa: assim são os sonhos. Logo, Curtis começa a desconfiar que algo de ruim possa acontecer a sua cidade, e na tentativa de proteger a esposa e a filha, ele reativa um abrigo nuclear instalado em seu quintal, transformando sua vida numa paranoia crescente e sem saída, que pode destruir seu casamento e sua sanidade.

O filme é um 'tour de force' de Shannon, em ótima composição. A seu lado, Jessica Chastain (de 'A Árvore da Vida') também mantém o bom ano que vive. Já o filme não é muito imaginativo, além de ser travado e bastante lento. Segurando as pontas, acompanhamos o ótimo ator que protagoniza o longa na torcida que ele consiga momentos de ainda mais brilho nessa carreira ascendente.


NOTA: C+

* Beleza:


Candidato ao Oscar 2011 pela África do Sul. Vencedor da 'Queer Palm' no Festival de Cannes desse ano (o prêmio dado ao melhor filme de temática gay da mostra). Com essas duas responsabilidades nas costas, o diretor/roteirista Oliver Hermanus chega no circuito cinematográfico mundial querendo mostrar serviço. Não é que consegue? Se falta brilho e novidade a seu filme, não lhe falta garra e a certeza de estar fazendo o melhor possível, além de um grande ator como Deon Lotz protagonizando.

O filme mostra a vida pacata de François, pai de família com uma bem sucedida madeireira que esconde o que pra ele é um terrível segredo: ele é gay. Com a libido em polvorosa, François tem um grupo secreto de homens maduros e todos com "algo a perder" como ele, que se encontram de tempos em tempos para colocar seu desejo em dia. Ao colocar os olhos em cima do filho do melhor amigo, François enlouquece de tesão pelo rapaz e passa a criar armadilhas para encontra-lo e criar qualquer vínculo que seja com ele. Aos poucos, essa obsessão vai fazer com que esse homem perca todas as amarras e caia cada vez mais nas armadilhas que ele mesmo cria.

Graças a Lotz e sua expressão apreensiva e tensa, o filme se segura até o fim. Com uma trilha sonora pontual, adequada e muito interessante, 'Beleza' pode até não ter muitas chances na disputa do Oscar desse ano, mas não lhe falta a dignidade que muitas vezes o assunto custa a ter. Apesar do tema nada novo, o filme não aborrece e prende até o fim.


NOTA: B-

* Superclássico:


A Dinamarca acabou de ganhar o Oscar de filme estrangeiro (injustamente, já que 'Incêndios' e 'Kynodontas' dão 20 banhos em 'Um Mundo Melhor'), e volta a tentar concorrer da forma mais acertada possível, que é fugindo de qualquer maneira do vencedor passado. Com a certeza de que a vitória esse ano tira 80% de uma nova indicação tão rápido, os dinamarqueses decidiram apostar no oposto que mostraram esse ano, com essa comédia romântica divertida e leve, que poderia muito bem ter sido produzida na América.

O filme mostra o desespero de Christian (o ótimo Anders W. Berthelsen, de 'Italiano para Iniciantes') ao ver que sua mulher Anna (a bela Paprika Steen) pediu o divórcio e está de casamento marcado com um astro do futebol argentino. Como Anna agora mora na América do Sul (por também ser empresária do jogador), Christian vai com o filho Oskar (Jamie Morton, super expressivo) para a Argentina com a desculpa de assinar os papéis do divórcio, mas na verdade ele quer uma última chance de reconquistar a ex-mulher. Se metendo em confusões cada vez maiores num país que não é o seu, Christian vai perceber que nem sempre o que se quer é a melhor pedida.

Sem grandes pretensões, o filme agrada e faz rir com seu humor fácil e sua trama rapidamente esquecível. Fica aquela 1 hora e meia de diversão (com um ótimo ator a frente do elenco), mas toda vez que o filme tenta alçar um voo maior, o roteiro bloqueia suas intenções. Pra divertir, distrair e esquecer em seguida.


NOTA: C+

* Happy Happy:


A Noruega vem com essa produção de humor mais refinado a princípio, mas que acaba caindo em muitos lugares comuns durante seu desenrolar. O filme ganhou esse ano o prêmio do juri no Festival de Sundance desse ano, além do troféu de melhor ator no 'Oscar norueguês' para Henrik Rafelsen (o cara da foto acima). Ele faz parte de um quarteto principal muito afiado, que mostra 2 casais vizinhos interagindo cada vez mais.

Sigve e Elizabeth se mudam para a frente de Kaja e Eirik e passam a conviver uns com os outros. O filho de Sigve e Elisabeth é um menino negro adotado, que acaba sendo sutilmente escravizado pelo filho do outro casal (em cenas tão bizarras quanto engraçadas). Os pais dos meninos, que estão em conflito velado, acabam se envolvendo num swingue silencioso e o romance de Sigve e Kaja parece que irá engrenar a qualquer momento. É quando muitos segredos vem a tona, e o quarteto irá tomar as decisões que mudarão essas vidas definitivamente.

Um filme que poderia ser muito melhor do que acaba sendo, 'Happy Happy' perde muitas oportunidades de marcar cinematograficamente, já que seu humor ácido inicial vai dando lugar a algo mais convencional, cena a cena. Não impede, no entanto, de ser uma agradável surpresa (bem) vinda de um lugar muito frio.


NOTA: C+

sábado, 15 de outubro de 2011

Enid no Festival do Rio 2011 - Dia 8:

Estou cansado, tipo muito. Mas como olho pra frente e ainda vejo coisas como o dia de hoje, a animação continua apesar de tudo. Afinal, tem 'Drive' na minha frente... como não soltar foguetes?

* Drive:

  
Sentem o cheiro de anos 80 no ar? Pois é... 'Drive' é um bicho oriundo em parte lá, mastigado em 2010 e jogado na nossa cara agora da forma mais explícita possível. O diretor Nicolas Winding Refn não começou ontem, nem na cadeira de diretor nem como provocador típico dinamarquês. Ao contrário do colega Lars Von Trier, Refn é polemista apenas do lado de lá da tela e adepto disso que descrevi: explosão de fúria na nossa cara, e cenas particularmente violentas em que 'tudo' é o universo retratado (como em seu furioso 'Pusher', conferido num Festival do Rio qualquer de uns 5 anos atrás, talvez...). Dizem que o prêmio de direção em Cannes desse ano foi um exagero; eu chamo de merecido. E como...


O filme segue um motorista sem nome vivido com brilho por Ryan Gosling. Ele é dublê de cenas de ação para o cinema de dia, e motorista para ladrões em fuga a noite; em tempo integral, é mecânico numa oficina de carros. Ao conhecer sua vizinha Irene e o pequeno Benicio, há uma conexão entre eles que há muito tempo esse homem procurava. Mas ao se envolver num assalto ao lado do marido de Irene que acabou de sair da cadeia, o motorista irá se envolver com o pior do submundo da California, com o foco apenas na bela garota por quem se apaixonou silenciosamente. 


O filme, como anunciei acima, é um híbrido. Imagens dos anos 80, figurinos idem e trilha sonora arrebatadora, mistura tudo num liquidificador potente com o fino da violência moderna, que somente Refn consegue fazer explícita e sutil ao mesmo tempo. No elenco, o destaque absoluto (além de Gosling) vai para o redivivo Albert Brooks, num papel que vai salvar sua carreira. Todas as luzes e neons, no entanto, vão para o talento de Refn que explode na tela a cada cena, sejam elas calmas ou nervosas. E no deslizar dos carros pelas ruas sujas de uma cidade implacável, que transforma um filme que tinha tudo para ser banal num dos melhores de 2011.




NOTA: A+

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Enid no Festival do Rio 2011 - Dia 7:

Dia de cinema nacional. Dia de grandes filmes do cinema nacional. Dois deles irão estrear mês que veme ajudam a salvar um dos anos mais capengas do nosso cinema ao que me lembre. Dois grandes filmes, e um pequeno filme muito diferente ajudaram meu Festival a subir de nível. São eles:

* O Palhaço:


Quatro anos depois mobilizar a temporada com o melhor filme nacional do ano logo em sua estreia como diretor ('Feliz Natal'; um filmaço pouquíssimo visto que merece toda a atenção), Selton Mello mostra que não está pra brincadeira na nova cadeira de diretor e entrega um filme que talvez seja ainda mais maduro que sua estreia. Ciente de suas aptidões, Mello está sempre crescendo como ator, e esse ano resolveu mostrar um outro lado como realizador, mais afável e próximo ao grande público, não por isso diminuído em força dramática e identidade visual. 'O Palhaço' é (mais uma vez, hein Selton...) um dos grandes filmes nacionais do ano, e do Festival com muitas sobras.

Acompanhamos as desventuras da trupe do circo Esperança (como o Bar, do filme homônimo dos anos 80), um desses modestos espetáculos mambembes que viajam o Brasil há muitas décadas (e que Mello resolveu situar nos anos 80). Os donos são Benjamin e seu pai, no palco Pangaré e Puro Sangue, uma dupla de palhaços cuja versão mais jovem está em crise. Literalmente em busca de identidade, Benjamin não se encontra mais naquele ambiente onde cresceu e crê ter perdido a graça, embora no palco isso não se reflita. Prestes a abandonar o 'negócio de família', Benjamin e equipe passeiam pelo interior do Brasil (tal qual o clássico de Cacá Diegues, 'Bye Bye Brasil') levando diversão ligeira as comunidades menos abastadas.

Uma arte que está morrendo, grita o filme a todo tempo através das lentes de Adrian Teijido (aliás, a parte técnica do filme é inteira um desbunde). Com pressa o tempo todo, Mello conseguiu fazer um filme enxuto (tem apenas 80 minutos) e juntar o melhor da arte cômica no país de ontem hoje, em participações afetivas deliciosas e derramadas de talento. José Loredo, Ferrugem, Fabiana Karla, Moacyr Franco (simplesmente extraordinário), se juntam a um dos  elencos mais homogêneos de 2011, no qual brilham Paulo José, Alamo Facó, Erom Cordeiro, Teuda Bara, e muitos outros. Não percam essa divertida homenagem ao mundo da arte, que fazemos ou amamos. E mais uma vez, obrigado Selton.


NOTA: A+

* Corações Sujos:


 
Incrível como Vicente Amorim é um cineasta em evolução (aliás, como deveriam ser todos né?). Depois do delicado 'Caminho dos Sonhos' e do histórico 'Um Homem Bom', Amorim junta as duas coisas numa das produções mais interessantes do ano. Confesso que meu queixo caiu; não sei porque nutria uma implicância sem sentido pelo filme. Mas me peguei emocionadoem diversas cenas, e maravilhado em tantas outras. Nível técnico internacional e um roteiro quase perfeito, aliados a uma direção cheia de brilho, elevam o filme como outro dos melhores nacionais do ano.

A trama, que a princípio teria pouco a ver com nossa realidade, mostra uma comunidade japonesa observada logo no fim da Segunda Guerra Mundial. Sem acreditar na derrota do Japão (que consideram imbatível) um grupo de homens de uma aldeia de imigrantes decide partir para a ofensiva contra o próprio povo que difunde a derrota da pátria-mãe. Sem pensar nas consequências, um general dele reúne um 'exército' nessa vila e os transforma em carrascos, executando cada japonês considerado 'traidor', e que assim o são unicamente por acreditar na derrota (que era noticiada em rádio e jornal).

O único defeito do filme vem roteiro que deixa os poucos brasileiros mostrados no filme muito ao longe do banho de sangue que os japoneses promovem entre si, sumindo da produção e deixando um vácuo na trama. Tirando isso (e um tique do diretor Amorim em insistir num mesmo efeito fotográfio), a luz do filme é simplesmente impressionante, a trilha é das melhores coisas produzidas esse ano no Brasil, e o elenco japonês reunido é nunca menos que excelente. Ou seja, mais um grande filme com a nossa grife.


NOTA: A-

* Sudoeste:


Eduardo Nunes, não sei se te agradeço ou se bato na tua cabeça. Como se preparar para sua estreia na direção? Alguns comparam o filme a um parente de 'Lavoura Arcaica'; talvez a presença de Simone Spoladore em ambos ajude isso a acontecer. Ou será que o aspecto de 'estranho no ninho' das duas produções apenas faça todo o trabalho. Eu particularmente não achei muitas semelhanças, além da qualidade de ambos. Mas é fato que 'Sudoeste' precisa de outro tempo para ser analisado, e não apenas 2 dias. Aqui estou eu, falando do filme, o revendo na memória... e nesse momento, tenho um belíssimo filme nacional na minha frente. Mas sem chegar perto da perfeição.

O filme acompanha um dia na vida de Clarice. Ou melhor, o dia da vida de Clarice. O único. Explico: Clarice é um fenômeno. Junto com o publico, aos poucos percebe que o dia do seu nascimento é também o dia da sua infância, o dia de sua juventude, o dia da sua gravidez, o dia da sua velhice, o dia de sua morte. Tudo num único dia, extraordinário dia. Junto com ela também, observamos a perplexidade dos que a veem como algo diferente e poético. Talvez os olhos das pessoas que passam por Clarice sejam os mesmos olhos do público que analisa 'Sudoeste': sem perceber tudo que está na sua frente, mas literalmente inebriado com tamanho encanto.

Mauro Pinheiro Jr. tinha que ser canonizado ainda nessa edição do Festival. Após arrebatar meio mundo com as imagens de 'Abismo Prateado', agora vem com essa aula de luz e técnica sob a batuta de Nunes, que estreia de maneira corajosa e arrebatadora. O ritmo lento ao extremo, a poesia que praticamente não dá vazão a um roteiro, e as interpretações quase contemplativas ajudam a estranheza do todo, mas uma coisa é certa: a coragem de Eduardo Nunes é do tamanho do mundo, e somente ela já bastaria para aplaudirmos esse projeto diferente e excepcional.


NOTA: B+

* A Hora e a Vez de Augusto Matraga:


Vinicius Coimbra é mais um cineasta oriundo da TV Globo a alcançar os cinemas. Já começa marcando pontos por não escolher comédias enlatadas para tentar mostrar serviço. Pelo contrário, vai numa das fontes mais difíceis de prosa para dar vazão às suas intenções iniciais como realizador de cinema; Guimarães Rosa foi um gênio, porém não é fácil nem aos iniciados, imagina a um estreante que escolheu se manter fiel a linguagem do autor. Se não consegue imprimir tão apurado capricho cinematográfico quanto seus colegas na competição da Premiére Brasil, tampouco pode ser livre de elogios pela escalação de elenco primorosa, pela escolha da obra em si e por cooptar alguém tão capaz quanto Lula Carvalho para iluminar seu longa.

Na tela, Augusto Matraga é uma espécie de bandoleiro do sertão nordestino que cai em emboscada organizado pelo Major Consilva e cai (literalmente) em desgraça, sendo arremessado em um desfiladeiro e dado como morto. Sua esposa vai viver com um galante cortês, e a região que era sua passa a ser vilanizada pelo tal Major. Mas Augusto não morreu, e seu corpo é resgatado por um casal que o protege e cuida dele por muitos anos, até a chegada de Joãozinho Bem-Bem pelo lugarejo onde vivem. De fama (e folha) corrida repleta de crimes, Bem-Bem é tratado como um deus pelo novo Augusto, hoje um homem ligado a religião e distante do universo do crime. Mas a influência desse grupo poderá ser fatal para a recuperação espiritual de Augusto, e a tentação de consertar o passado fica cada vez mais forte.

Apesar de toda a maravilhosa prosa de Rosa e do estupendo elenco (o que dizer de um grupo de atores que junta João Miguel, Irandhir Costa, José Wilker e Chico Anysio em desempenhos espetaculares?), falta uma forma mais trabalhada ao filme. Com uma montagem apenas eficiente, o filme parece não ter ficado totalmente pronto ainda, e precisar ainda ser burilado tecnicamente. O projeto é ótimo e Coimbra conseguiu todas as armas eficazes para sua estreia, só parece que no fim das contas o filme é exatamente isso: uma estreia. De muita qualidade, mas uma estreia.


NOTA: B-

* Espiral:


Paulo Pons apareceu na minha frente a primeira vez há alguns anos atrás, com um filmaço chamado 'Vingança'. Filmando um thriller que tinha tudo para ser banal e comum, Pons deu tons brasileiros e uma cara toda particular ao filme, sendo uma bem-vinda lufada no cinema de gênero que pouquíssimo é feito no país (e com qualidade sempre abaixo da duvidosa). Finalmente vemos Pons de volta a tela, e se o resultado fica longe do impacto de sua estreia, ninguém pode negar como o diretor sem empenhou em realizar um filme o mais interessante possível, inclusive tecnicamente.

Será que consigo montar uma sinopse aqui dele? Bem, quase impossível... mas vamos a uma pincelada, que seja: o filme mostra 7 estranhos que se encontram numa mansão, e chegam pouco a pouco. João, Joana, Maria, Ana, Marcos, Zeca e Clarice não se conhecem e não sabem porque foram parar ali; os diálogos entre eles parece que não mudam muito essa situação, e aos poucos a situação vai ficando cada vez mais absurda. Até que um corpo surge na casa. Quem é aquele homem? Quem são essas 7 pessoas? O que todos fazem ali, e qual a relação entre eles?

As inspirações parecem ter sido muitas, e de cara identificamos o Buñuel de 'O Anjo Exterminador'; mais tarde, com todas as revelações na mesa, um importante autor vem a tona, de forma bem explícita (mas que deixaremos aqui sem citação, por conta do gigantesco spoiler que seria). De qualquer forma, o filme ainda lembra 'Timecode', filme onde Mike Figgis há mais de uma década já imaginava várias situações acontecendo ao mesmo tempo, recortando a tela para tal em até 4 partes. É bacana? É. Instigante? Sem dúvida. Mas precisaria de mais azeite e diálogos um pouco melhores para chegar a um resultado superior. No elenco, o destaque para Nelson Freitas e João Sabiá, os únicos repletos da naturalidade que o filme exigia. Independente de qualquer que seja a análise final, o bom é perceber que Pons não dormiu em serviço e revirou as expectativas que tínhamos com ele, tentando mais uma vez remar contra a maré num ambiente cada vez mais viciado quanto o cinema.


NOTA: C+