quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Enid rumo ao Ouro - New York Film Critics Circle:


Ontem também já saiu o primeiro prêmio da temporada. Todos esperavam 'A Árvore da Vida', muitos esperavam 'A Invenção de Hugo Cabret', uma boa galera esperava 'Os Descendentes', os 'indies' esperavam qualquer coisa entre 'Drive' e 'Shame'... mas a celebração do cinema nos seus primeiros anos marcou seus primeiros pontos na corrida de 2011. 'O Artista', que muito ainda teimam em considerar o patinho feio da temporada, já começa a se transformar em cisne aos olhos de muitos incrédulos. O filme arrebatou os críticos da Big Apple e saiu de lá com os prêmios de 'filme' e 'direção'. A polêmica eleição do trabalho de Meryl Streep como atriz a coloca de vez como a favorita do ano a ser batida, e Brad Pitt ganha fôlego numa corrida onde muitos contendores querem roubar sua vaga. O amor por ele inclusive ficou bem claro, tendo em vista que 'A Árvore da Vida' e 'O Homem que Mudou o Jogo' tiveram expressivas participações na premiação. E o nome de Jessica Chastain surge com uma pergunta: conseguirá ela destaque suficiente por um dos 3 filmes onde foi lembrada como coadjuvante, a ponto de não atrapalhar sua corrida para a categoria? Bem difícil hein... vamos ao vencedores, e seus respectivos 'runners-up' (as famosas 'segundas opções'):


FILME: O Artista
 Runners-up: Melancolia & A Invenção de Hugo Cabret

DIREÇÃO: Michel Hazanavicius (O Artista)
 Runners-up: Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret) & Lars Von Trier (Melancolia)

ATOR: Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo & A Árvore da Vida)
 Runners-up: Michael Fassbender (Shame) & Jean Dujardin (O Artista)

ATRIZ: Meryl Streep (A Dama de Ferro)
 Runners-up: Michelle Williams (Uma Semana com Marilyn) & Kirsten Dunst (Melancolia)

ATOR COADJUVANTE: Albert Brooks (Drive)
 Runners-up: Christopher Plummer (Toda Forma de Amor) & Viggo Mortensen (Método Perigoso)

ATRIZ COADJUVANTE: Jessica Chastain (Histórias Cruzadas, O Abrigo & A Árvore da Vida)
 Runners-up: Carey Mulligan (Shame) & Vanessa Redgrave (Coriolanus)

ROTEIRO: Steven Zaillian & Aaron Sorkin (O Homem que Mudou o Jogo)

ESTRANGEIRO: A Separação

DOCUMENTÁRIO: Cave of Forgotten Dreams

FILME DE ESTREIA: Margin Call

FOTOGRAFIA: Emannuel Lubeszki (A Árvore da Vida)

Enid rumo ao Ouro - e começa a temporada 2001...


Olá, galera!!! Depois de um tempinho sumido, volto aos braços dos meus fãs numa época mais que especial, pedindo desculpa pelo sumiço, cheio de críticas de filmes para postar (juro que começo a tentar à noite) e abrindo a temporada de ouro 2011 cheio de gás. Ontem teve o anúncio dos indicados aos Independent Spirit Awards, que nada mais é que o Oscar dos 'indies'. A boa notícia é que eles escolheram MUITA coisa boa pra indicar (e umas tantas completamente desconhecidas, como convém ao prêmio); a notícia bizarra é que eles continuam se enrolando nas nacionalidades das produções. Ok, eles consideram produções "britânicas" e/ou dirigidas por europeus como sendo 'filme estrangeiro' (e aí se justifica o aparecimento por lá de joias luminosas como 'Shame', 'Tiranossauro' e 'Melancolia'). Mas então britânicos e dinamarqueses são estrangeiros, mas franceses não? A verdade é que 'O Artista' conseguiu uma pá de indicações, assim como 'Drive', que é dirigido por um... dinamarquês!!!; a notícia ruim: onde foram parar os favoritos George Clooney e Glenn Close, que deveriam chegar com tudo, a começar por aqui e tiveram seus filmes lembrados? Ok. chega de tentar entender né... não tem como mesmo. Então vamos as indicações?


FILME:

O Artista
Toda Forma de Amor
Os Descendentes
Drive
O Abrigo

FILME DE ESTREIA:

Bellflower
Circumstance
The Dynamiter
Hello Lonesome
Pariah

DIREÇÃO:

Michel Hazanavicius (O Artista)
Mike Mills (Toda Forma de Amor)
Jeff Nichols (O Abrigo)
Alexander Payne (Os Descendentes)
Nicolas Winding Refn (Drive)

ATOR:

Demian Bichir (A Better Life)
Jean Dujardin (O Artista)
Ryan Gosling (Drive)
Woody Harrelson (Rampart)
Michael Shannon (O Abrigo)

ATRIZ:

Lauren Ambrose (Think of Me)
Rachael Harris (Natural Selection)
Adepero Oduye (Pariah)
Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene)
Michelle Williams (Uma Semana com Marilyn)

ATOR COADJUVANTE:

Albert Brooks (Drive)
John Hawkes (Martha Marcy May Marlene)
Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
John C. Reilly (Cedar Rapids)
Corey Stoll (Meia Noite em Paris)

ATRIZ COADJUVANTE:

Jessica Chastain (O Abrigo)
Anjelica Huston (50%)
Janet McTeer (Albert Nobbs)
Harmony Santana (Gun Hill Road)
Shailene Woodley (Os Descendentes)

ROTEIRO:

O Artista
Toda Forma de Amor
Os Descendentes
Footnote
Ganhar ou Ganhar

ROTEIRO DE ESTREIA:

A Outra Terra
Cedar Rapids
50%
Margin Call
Terri

FOTOGRAFIA:

O Artista
Bellflower
The Dynamiter
Meia Noite em Paris
The Off Hours

ESTRANGEIRO:

O Garoto da Bicicleta
Melancolia
A Separação
Shame
Tiranossauro

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A Voz de Enid: "Amores Imaginários"



O cinema de Xavier Dolan chegou pra mim como burburinho, há mais de 2 anos atrás, num desses Festivais do Rio. Um grande amigo falou que 'não deveríamos perder "Eu Matei Minha Mãe", que tinha causado sensação em mostras paralelas do Festival de Cannes daquele ano'. Confiando no tal amigo, fui sem pestanejar ou ao menos ler a sinopse. Em todos que fizeram como eu naquele 2009, o mesmo impacto: aos 20 anos, um jovem canadense estreava na direção, no roteiro e a frente das câmeras, surpreendendo triplamente. Sorte de principiante, gritaram muitos... no entanto, ninguém ficou indiferente àquele soco no estômago da juventude, que Dolan vivia, acarinhava e esmurrava ao mesmo tempo, e deixando a cara pra bater de forma clara.

Um ano depois, no Festival do ano passado, Dolan não é mais um estreante e essa estreia de hoje foi uma das grandes procuras de 2010 da mostra carioca. Sinal que o franzino rapaz tinha deixado uma marca tão indelével que nem as poucas nervuras que seu filme provoca no celuloide impresso são capazes de estancar o rio de saídas visuais marcantes, tanto no anterior quanto principalmente nesse novo, que ainda fala sobre si mesmo, mas que abre seu escopo para o resto dos seres, talvez sendo esse seu maior acerto.

Com um domínio superior de linguagem cinematográfica e referências a grandes clássicos do passado (o mais explícito deles, o seminal Truffaut de "Jules e Jim"), Dolan quer mostrar aqui que, se ainda não tem todas as manhas e escolhas acertadas que transformam um mero diretor numa referênci, ele já se arrisca e ousa de maneira surpreendente sem perder a identidade e signos que ele faz questão de criar e revisitar.

Os amigos Francis e Marie (a ótima Monia Chokri) levam uma vida de pura observação do mundo à sua volta, sendo ácidos, modernos, estilosos e moderninhos, tudo a mil por hora. A entrada do belo Nicolas (Niles Schneider) em cena os subverte, transformando essa dupla descolada em meros joguetes de situações ultra banais e corriqueira, arrancando-os de suas zonas de conforto e os jogando no lugar mais improvável possível: o mundo real. A partir da paixão avassaladora que ambos passam a nutrir pelo rapaz (sem nem ao menos saber sua preferência sexual), esse casal de amigos começam a se comportar das mesmas formas babacas e muito humanas que eles sempre fizeram questão de evitar e aviltar. E do conflito iminente, é que o mundo profundamente cor-de-rosa de ambos passa a ficar cada vez mais natural e igual ao de todos nós.

Para todo mundo que se apaixonou e se meteu em ridículas roubadas para provar essa paixão, uma grande pedida; para o grupo de jovens que nunca teve contato com sentimentos mais profundos ou se dá conta deles pela primeira vez, esse é o filme; para quem tantas vezes não soube o que fazer diante de algo totalmente novo e surpreendente, não perca. E se você apenas adorou "Eu Matei minha Mãe", não tenha reservas e se jogue na deliciosa trilha sonora e na explosão de sentimentos de "Amores Imaginários".


NOTA: A-

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

European Film Awards:



É chegada a hora dos europeus clamar os melhores do ano. Mesmo que ano passado eles tenham cagado no pau apontando 'O Escritor Fantasma' o melhor do ano em 6 categorias (trilha? ok... ator, para Ewan McGregor, concorrendo com Elio Germano, Luis Tosar e Jakob Cedergren? Não mesmo), geralmente o trabalho é excelente e a premiação mais que justa.

Esse ano o campeão de indicações segue a tendência superlativa, elegendo 'Melancolia' o principal filme da competição. Apesar das bizarras lembranças a 'O Discurso do Rei' (que, afinal, é um "vencedor do Oscar", né?) e a 'O Porto' (que eu não consigo achar essa coca-cola toda, não adianta), além do magnífico longa de Lars Von Trier também foram agraciados com indicações 'O Garoto da Bicicleta' e 'O Artista' (ok, vamos esquecer de 'Em um Mundo Melhor'... que afinal, é um "vencedor do Oscar", né? hehehehehe).

Abaixo, a lista de indicados:

FILME:

Em um Mundo Melhor
Melancolia
O Artista
O Discurso do Rei
O Garoto da Bicicleta
O Porto

DIREÇÃO:

Aki Kaurismäki (O Porto)
Bela Tárr (O Cavalo de Turim)
Irmãos Dardenne (O Garoto da Bicicleta)
Lars Von Trier (Melancolia)
Susanne Bier (Em um Mundo Melhor)

ATOR:


André Wilms (O Porto)
Colin Firth (O Discurso do Rei)
Jean Dujardin (O Artista)
Michel Piccoli (Habemus Papam)
Mikael Persbrandt (Em um Mundo Melhor)


ATRIZ:


Cecile De France (O Garoto da Bicicleta)
Charlotte Gainsbourg (Melancolia)
Kirsten Dunst (Melancolia)
Nadezhda Markina (Elena)
Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin)

ROTEIRO:

Em um Mundo Melhor
Melancolia
O Garoto da Bicicleta
O Porto

FOTOGRAFIA:

Essential Killing
Melancolia
O Artista
O Cavalo de Turim

MONTAGEM:

Melancolia
O Discurso do Rei
Triângulo Amoroso

CENOGRAFIA:

A Pele que Habito
Habemus Papam
Melancolia

TRILHA SONORA:

A Pele que Habito
O Artista
O Cavalo de Turim
O Discurso do Rei



terça-feira, 25 de outubro de 2011

Previsões para o Oscar - 25/10:

Oi, pessoal. Olha eu aqui outra vez falando com voces sobre o careca dourado... se acostumem, porque até o final de janeiro (quando sai o anúncio dos indicados), Enid terá voltado aqui diversas vezes para falar sobre o mesmo assunto, 'again and again'... hehehehe...

Com novas exibições nos EUA, o circuito volta a se sacudir e os peões voltam a se mexer. Quem são os novos favoritos a indicações? Com os nomes e motivos em cada categoria, vamos a eles abaixo.


FILME:

O Artista
Os Descendentes
Cavalo de Guerra
Tão Forte e Tão Perto
Histórias Cruzadas
O Espião que Sabia Demais
O Homem que Mudou o Jogo
Tudo pelo Poder

Alt: J. Edgar; Meia-Noite em Paris; A Árvore da Vida; Hugo; Jovens Adultos; Shame

* Ontem li algo que me parece acertado: "se os acadêmicos votarem com o coração, dá 'O Artista'". Ano passado, vimos exatamente a vitória do coração ('O Discurso do Rei') sobre a razão ('A Rede Social'). Tá, mas e se o 'coração' dos votantes esse ano balançarem mais por outro filme que não essa classuda homenagem à velha Hollywood? E se for um coração partido pelo 11 de Setembro? E se o coração bater mais forte por um astro à moda antiga? E se todos realmente forem pegos por uma ode ao fim da discriminação racial? Ou se voltarmos só um pouquinho no tempo para observar que, às vezes, razão e emoção podem sim andar juntas?


DIREÇÃO:

Steven Spielberg (Cavalo de Guerra)
Michel Hazanavicius (O Artista)
Alexander Payne (Os Descendentes)
Woody Allen (Meia-Noite em Paris)
Stephen Daldry (Tão Forte e Tão Perto)

Alt: Clint Eastwood (J. Edgar); Terence Mallick (A Árvore da Vida); George Clooney (Tudo pelo Poder); Martin Scorsese (Hugo); Bennett Miller (O Homem que Mudou o Jogo)

* Todos não cansam de falar que o ano está fraco, mas porque será que os favoritos não parecem cessar? Por alto ou por baixo, muita gente tem chance sim de concorrer ao Oscar desse ano, mesmo que as mesmas pessoas não tivessem a menor chance em outros anos. A verdade é que, ao que tudo parece, esse pode sim ser um ano onde as categorias de 'filme' e 'direção' podem dividir; ok, isso não acontece há 5 anos, e nem na última premiação aconteceu, quando tudo parecia ir pra esse lado.


ROTEIRO ADAPTADO:

Alexander Payne, Nat Faxon & Jim Rash (Os Descendentes)
Bridget O'Connor & Peter Strong (O Espião que Sabia Demais)
George Clooney & Grant Heslov (Tudo pelo Poder)
Steven Zaillian & Aaron Sorkin (Moneyball)
Eric Roth (Tão Forte e Tão Perto)

Alt: Cavalo de Guerra; Histórias Cruzadas; Drive; Hugo; Os Homens que não Amavam as Mulheres

* Essa categoria continua intacta, e acho que o fato de 'Cavalo de Guerra' ainda estar na tentativa de subir pode ser um bom prognóstico do resultado do filme na competição; nunca duvidem do poder da grana alta que 'Histórias Cruzadas' fez.


ROTEIRO ORIGINAL:

Michel Hazanavicius (O Artista)
Woody Allen (Meia-Noite em Paris)
Diablo Cody (Jovens Adultos)
Sean Durkin (Martha Marcy May Marlene)
Drake Doremus & Ben York Jones (Like Crazy)

Alt.: Shame; Rango: J. Edgar: O Abrigo; Missão: Madrinha de Casamento

* Creio que o buzz de 'Shame' esteja começando agora; como os 3 primeiros são quase intocáveis, acho melhor os 2 filhotes de Sundance tomarem cuidado porque Abi Morgan (de 'Shame' e 'A Dama de Ferro') parece querer uma indicação de qualquer jeito.


ATOR:

George Clooney (Os Descendentes)
Brad Pitt (O Homem que Mudou o Jogo)
Leonardo DiCaprio (J. Edgar)
Jean Dujardin (O Artista)
Gary Oldman (O Espião que Sabia Demais)

Alt: Michael Fassbender (Shame); Michael Shannon (O Abrigo); Ryan Gosling (Tudo pelo Poder); Woody Harrelson (Rampart); Peter Mullan (Tiranossauro)

* A dança das cadeiras na categoria não para, e DiCaprio parece nada certo como outrora. Como seu filme/personagem tem peso máximo, ele não consegue sair daqui. Mas é só começar a competição, e a Fox Searchlight ver (ou não) os resultados de sua campanha para 'Shame' que poderemos avaliar melhor. Em tempo: não tirem o olho de Harrelson, pois dizem que é de fato 'a grande interpretação do ano'; só precisa que seu filme seja comprado.


ATRIZ:

Glenn Close (Albert Nobbs)
Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Charlize Theron (Jovens Adultos)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene)

Alt: Michelle Williams (Minha Semana com Marilyn); Olivia Colman (Tiranossauro); Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin); Felicity Jones (Like Crazy); Rooney Mara (Os Homens que...)

* Outra categoria onde nada mudou... por enquanto. O duro é observar que tanto Williams quanto Colman devem estar anos-luz melhores que Streep (e todos já vendem repúdio a ela, mesmo sem ver um filme que está literalmente escondido). Mas essas 2 atrizes tem tudo para ser as queridinhas dos críticos, e aí sim tudo pode mudar. E deverá.


ATOR COADJUVANTE:

Christopher Plummer (Toda Forma de Amor)
Max Von Sydow (Tão Forte e Tão Perto)
Kenneth Branagh (Minha Semana com Marilyn)
Brad Pitt (A Árvore da Vida)
Patton Oswalt (Jovens Adultos)

Alt: Albert Brooks (Drive); Philip Seymor Hoffman (Tudo pelo Poder); Jonah Hill (O Homem que Mudou o Jogo); Nick Nolte (Warrior): Ben Kingsley (Hugo)

* A impressão que eu tenho é que, se 'A Árvore da Vida' quer subir na disputa, é com Brad Pitt que eles devem contar. Enquanto isso, Brooks não caiu nem morreu, apenas deu lugar a outro contendor que está no foco do momento; pode voltar a qualquer momento. De qualquer modo, é difícil imaginar uma outra disputa na categoria que não seja entre os dois veteranos do alto. E que (literalmente) vença o melhor.


ATRIZ COADJUVANTE:

Vanessa Redgrave (Coriolanus)
Berenice Bejo (O Artista)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Shailene Woodley (Os Descendentes)
Sandra Bullock (Tão Forte e Tão Perto)

Alt: Jessica Chastain (Histórias Cruzadas); Carey Mulligan (Shame); Janet McTeer (Albert Nobbs); Emily Watson (Cavalo de Guerra); Judi Dench (J. Edgar)

* A única em todas as categorias onde não mexi absolutamente nada, nem ordem. Mas queria muito acreditar que todas as 10 podem e devem concorrer, grandes atrizes/promessas que são.


ESTRANGEIRO:

ESTRANGEIRO:

A Separação (Irã)
In Darkness (Polônia)
Terraferma (Itália)
Footnote (Israel)
A Guerra está Declarada (França)

Alt: O Porto (Finlândia); Where do we Go Now? (Líbano); A Simple Life (Hong Kong); Pa Negre (Espanha); Pina (Alemanha)

* Ok, a categoria está muito fácil, eu sei... mas fazer o quê? A Academia não aceitou a indicação da Albânia, e com isso o Joshua Marston perdeu uma indicação fácil. Já a França, vem com um filme sobre um casal de vinte e poucos anos que descobre que seu filho de 3 anos está com câncer! Moleza, né? Eu sei que a categoria sempre apresenta surpresas tiradas da cartola (e com isso, mantenham o olho no México, na Noruega, na Islândia, no Canadá e no Japão). Mas a verdade é que aqui muito pouco pode ser dito antes da tal pré-lista sair, lá em janeiro... sempre dividida entre certezas e surpresas estapafúrdias, o vencedor sempre poderá sair de um grupo ou de outro.


FOTOGRAFIA:

Guillame Schiffman (O Artista)
Janusz Kaminski (Cavalo de Guerra)
Emmanuel Lubeszki (A Árvore da Vida)
Robert Richardson (Hugo)
Eduardo Serra (Harry Potter e as Reliquias da Morte II)

Alt: Tão Forte e Tão Perto; Os Homens que não Amavam as Mulheres; O Espião que Sabia Demais; J. Edgard; Os Descendentes


MONTAGEM:

Michael Khan (Cavalo de Guerra)
Christopher Tellefsen (Moneyball)
Matthew Newman (Drive)
Claire Simpson (Tão Forte e Tão Perto)
Kirk Baxter & Angus Wall (Os Homens que não Amavam as Mulheres)

Alt: O Artista; Hugo: O Espião que Sabia Demais; Tudo pelo Poder; Planeta dos Macacos


FIGURINO:

Mark Bridges (O Artista)
Michael O'Connor (Jane Eyre)
Sharen Davis (Histórias Cruzadas)
Sandy Powell (Hugo)
Jill Taylor (Minha Semana com Marilyn)

Alt: Anônimo; Albert Nobbs; Um Método Perigoso; Meia Noite em Paris; Cavalo de Guerra


DIREÇÃO DE ARTE:

Laurence Bennett (O Artista)
Dante Ferretti (Hugo)
Stuart Craig (Harry Potter e as Reliquias da Morte II)
Rick Carter (Cavalo de Guerra)
Will Hughes-Jones (Jane Eyre)

Alt: Anônimo; J. Edgar; Um Método Perigoso; Meia-Noite em Paris; Sherlock Holmes 2


TRILHA SONORA:

John Williams (Cavalo de Guerra)
Ludovic Bource (O Artista)
Howard Shore (Hugo)
Alexander Desplat (Tão Forte e Tão Perto)
Alberto Iglesias (O Espião que Sabia Demais)

Alt: As Aventuras de Tintin; Tudo pelo Poder; Os Homens que não Amavam as Mulheres; Super 8; Rango


EFEITOS ESPECIAIS:

Harry Potter e as Reliquias da Morte II
Planeta dos Macacos: A Origem
Transformers 3
A Árvore da Vida
Hugo

Alt: Capitão América; Thor; Super 8; X-Men: Primeira Classe; Lanterna Verde


MAQUIAGEM:

J. Edgar
Lanterna Verde
Harry Potter e as Reliquias da Morte II

Alt: O Artista; Piratas do Caribe 4; Hugo


ANIMAÇÃO:

As Aventuras de Tintin
Operação Presente
Rango

Alt: Rio; O Gato de Botas; Happy Feet 2; Carros 2

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Inté, Festival do Rio...

Mais uma vez atrasado, mais uma vez um pedido de desculpas. A justificativa? Não há mais neurônios intactos na massa encefálica do tio aqui, e aos poucos estou me recuperando do cansaço, que também é físico (e nem vou citar que irei me recuperar engatando outro festival em 2 dias...).

Mas nada como um dia após o outro, e cá estou para brevemente comentar os vencedores da competição nacional do Festival. A pergunta que se faz presente é: porquê, Jesus? Diante de uma competição de nível altíssimo (mas que, como toda competição, guardava seus erros crassos), sabe-se lá o que passou pela cabeça do juri ao decidir premiar os 3 piores filmes da competição. O grande vencedor da noite de encerramento foi 'A Hora e a Vez de Augusto Matraga', que de fato não era ruim, mas ficava anos-luz do nível estratosférico de ao menos 6 outros filmes; um filme imperfeito, a estreia no cinema de Vinicius Coimbra saiu vencedora dos prêmios de melhor filme (pelo juri oficial e pelo popular também), além dos merecidos (aí sim) troféus de melhor ator, ator coadjuvante e um especial, respectivamente para João Miguel, José Wilker e Chico Anysio, um trio excepcional.

O prêmio de atriz coadjuvante foi para Maria Luiza Mendonça, por 'Amanhã Nunca Mais', um filme bem fraco, mas que pelo menos rendeu um excelente momento no palco, com Lázaro Ramos recebendo o prêmio pela sua colega de elenco, que estava com o mesmo no telefone e não consegui acreditar na sua vitória. Infelizmente os prêmios acertados para a direção de Karim Ainouz ('Abismo Prateado'), para a melhor atriz Camila Pitanga (emocionada e dona de todos os elogios unânimes por 'Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios'), para 'Sudoeste' (Grande Prêmio do Juri e fotografia) e 'Mãe e Filha' (Menção Honrosa e fotografia também) não vão conseguir esconder o pavoroso prêmio de melhor roteiro dado a um dos piores roteiros não apenas da competição, mas do Festival como um todo. 'A Novela das 8' assim conseguiu não apenas estar na competição errada, como também marcar negativamente uma competição tão harmônica. Simplesmente vergonhoso.

Como não precisamos depender de júri nenhum, possamos cada um de nós fazermos nossas listas de melhores entre os filmes assistidos no Festival, não podemos? Do alto dos meus 62 títulos em 14 dias, faço agora minha postagem especial, apontando os melhores de 2011 em 14 categorias.


DIREÇÃO: Nicolas Winding Refn (Drive)

Top 5:
Bela Tárr (O Cavalo de Turim)
Andrea Arnold (O Morros dos Ventos Uivantes)
Asghar Fahradi (A Separação)
Petrus Cariry (Mãe e Filha)
Selton Mello (O Palhaço)


TRILHA SONORA: Jed Kurzel (Os Crimes de Snowtown)

Top 5:
Plínio Profeta (O Palhaço)
Alberto Iglesias (A Pele que Habito)
Franco Piersanti (Terraferma)
Cliff Martinez (Drive / Contágio)
Howard Shore (Um Método Perigoso)


FIGURINO: Kika Lopes (O Palhaço)

Top 5:
Steven Noble (O Morro dos Ventos Uivantes)
Catherine George (Precisamos Falar sobre o Kevin)
Sarah Finley (Weekend)
Marie-Chantale Vaillancourt (Funkytown)
Sharen Davis (Histórias Cruzadas)


DIREÇÃO DE ARTE: Claudio Amaral Peixoto (O Palhaço)

Top 5:
Daniel Flaksman (Corações Sujos)
Marie-Chantale Vaillancourt (Funkytown)
Polin Garbizu (Post Morten)
Mark Ricker (Histórias Cruzadas)
Peter Grant (Um Homem Engraçado)


MONTAGEM: Matthew Newman (Drive)

Top 5:
Veronika Jenet (Os Crimes de Snowtown)
Céline Ameslon (Caminho para o Nada)
Pauline Gaillard (A Guerra está Declarada)
Laure Gardette (Polissia)
Yvann Thibaudeau (Funkytown)


FOTOGRAFIA: Fred Kelemen (O Cavalo de Turim)

Top 5:
Robbie Ryan (O Morro dos Ventos Uivantes)
Mauro Pinheiro Jr. (Sudoeste)
Petrus Cariry (Mãe e Filha)
Adrian Teijido (O Palhaço)
Adam Arkapaw (Os Crimes de Snowtown)


ELENCO: A Separação

Top 5:
O Palhaço
Tiranossauro
Os Crimes de Snowtown
Polissia
Drive


ATOR REVELAÇÃO: Daniel Henshall (Os Crimes de Snowtown)

Top 5:
Moacyr Franco (O Palhaço)
Chris New (Weekend)
Tom Cullen (Weekend)
Deon Lotz (Beleza)
Lucas Pittaway (Os Crimes de Snowtown)


ATRIZ REVELAÇÃO: Elizabeth Olsen (Martha Marcy May Marlene / Paz, Amor e Muito Mais)

Top 5:
Louise Harris (Os Crimes de Snowtown)
Sareh Bayat (A Separação)
Sarina Fahradi (A Separação)
Sarah Mutch (Funkytown)
Dongyu Zhou (A Árvore do Amor)


ATOR COADJUVANTE: Gero Camilo (Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios)

Top 5:
José Wilker (A Hora e a Vez de Augusto Matraga)
Irandhir Santos (A Hora e a Vez de Augusto Matraga)
Chico Anysio (A Hora e a Vez de Augusto Matraga)
Viggo Mortensen (Um Método Perigoso)
Albert Brooks (Drive)


ATRIZ COADJUVANTE: Simone Spoladore (Sudoeste)

Top 5:
Karin Viard (Polissia)
Marina Foïs (Polissia)
Octavia Spencer (Histórias Cruzadas)
Bryce Dallas Howard (Histórias Cruzadas)
Melissa Leo (Red State)


ATOR: Peter Mullan (Tiranossauro)

Top 5:
Dominic Cooper (O Dublê do Diabo)
Ryan Gosling (Drive)
Michael Shannon (O Abrigo)
Peyman Moaadi (A Separação)
Shahab Hosseini (A Separação)


ATRIZ: Olivia Colman (Tiranossauro)

Top 5:
Camila Pitanga (Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios)
Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre o Kevin)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)
Shannyn Sossamon (Caminho para o Nada)
Leila Hatami (A Separação)


ROTEIRO ADAPTADO: Olivia Hetreed (O Morro dos Ventos Uivantes)

Top 5:
Christopher Hampton (Um Método Perigoso)
Hossein Amini (Drive)
Beto Brant, Renato Ciasca & Marçal Aquino (Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios)
Cristian Jiménez (Bonsai)
Pedro Almodóvar (A Pele que Habito)


ROTEIRO ORIGINAL: Steven Gaydos (Caminho para o Nada)

Top 5:
Asghar Fahradi (A Separação)
Eduardo Nunes (Sudoeste)
Andrew Haigh (Weekend)
Justin Kurzel & Shaun Grant (Os Crimes de Snowtown)
Selton Mello & Marcelo Vindicatto (O Palhaço)


FILME: A Separação

Top 5:
Caminho para o Nada
O Morro dos Ventos Uivantes
Drive
Weekend
Aqui é o Meu Lugar

Menções Honrosas: O Cavalo de Turim / O Palhaço / Os Crimes de Snowtown / Michael / Polissia

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Enid no Festival do Rio 2011 - Dias 11, 12 e 13:

É, galera... seu sei que estou no furo máximo com voces. Mas tendo ainda 11 (ONZE!) críticas a escrever, tentarei colocar tudo em dia agora. Voces sabem, perdi minha credencial no que seria a véspera do "Dia 10", e por isso ele não existiu (a depressão nele sim). No dia 11, consegui uma nova (já que quem tem amigo, não morre pagão...) e já engatei os filmes restantes da Mostra, num final onde até apareceram filmes ruins, mas que um quarteto fez por onde simplesmente valer a pena os últimos 14 dias. Grandes filmes, senhores filmes... nossa, em êxtase por eles. Agora aqui, os comento de forma breve porém empolgado.

* A Separação:


Há 2 anos atrás Asghar Fahradi começou encantando a Alemanha com seu fascinante 'Procurando Elly', e de lá a fama desse novíssimo cineasta iraniano correu o mundo, comovendo cada lugar por onde passava. Cabe aos países agora (nós inclusive) importarmos seus primeiros 3 filmes, todos relativamente recentes. 'Elly' saiu do Festival de Berlim com o prêmio de direção para Fahradi e esse ano o diretor voltou ao Festival com esse novo trabalho que logo se configurou como o favorito do ano, não decepcionando e levando logo o Urso de Ouro. Mas o júri queria muito mais e deu também os prêmios de ator e atriz ao filme, representados por todo o elenco. Ou seja, o amor pelo filme era ainda maior do que se suponha, um amor mais que merecido.

Na trama (que ao menos pela segunda vemos, observamos que Fahradi parte sempre de algo banal "em tese"), de cara somos informados sobre a separação de Nader e Simin, casal que tem uma filha adolescente que discorda sobra uma possível viagem para outro país em busca da concretização dos seus sonhos. Nader não acredita nisso, enquanto Simin não vê outro futuro; além disso, o pai de Nader tem Alzheimer e necessita de cuidados, e para isso é contratada Razieh, que vai funcionar como uma espécie de acompanhante, enfermeira e doméstica na casa com a partida de Simin. Logo, toda essa estrutura virá abaixo quando um ato de violência for desferido contra Razieh, que está grávida e cujo marido não sabe que ela está trabalhando. Mentiras, segredos e opiniões contraditórias e volúveis farão parte da realidade desses 2 casais, e das demais pessoas que irão cercar o conflito gerado.

A estrutura dramática que Fahradi constroi mais uma vez é exemplar. Assim como em 'Procurando Elly', o filme é repleto de novas informações que a todo momento enriquecem e dão novo viés ao contexto mostrado, além de deixar tudo cada vez mais nebuloso dos pontos de vista ético e moral, acendendo discussões pertinentes. Não à toa um favorito antecipado ao Oscar de filme estrangeiro, não se engane que Fahradi está apenas falando de família aqui. Se você é iraniano, a política está entranhado em cada coisa que você faça, e um dos inúmeros talentos de Fahradi é falar de um microcosmo diminuto na superfície, e mergulhar na ótica do seu país de forma brilhante. Simplesmente genial.


NOTA: A+

* Caminho para o Nada:



Confessando aqui o que talvez seja um grande pecado: apenas ano passado, às vésperas do início do Festival de Veneza 2010, é que soube da existência de Monte Hellman. Tendo dirigido cerca de 13 filmes entre os anos 60 e 80, Hellman ficou mais de 15 anos sem dirigir nada até voltar aos curtas 5 anos atrás. Foi então levado a Itália ano passado para competir com esse filme, justamente no ano em que seu pupilo Quentin Tarantino foi presidente do júri. Como tio Tarantino idolatra a obra passada desse cineasta de quase 80 anos, esse homem que é considerado por muita gente como 'Papa do real cinema underground americano' saiu do Festival com um Prêmio Especial pela carreira. Ao assistir o filme, chegamos a conclusão que muita pressão deve ter feito Tarantino desistir de cnceder o Leão de Ouro a Hellman. Uma pena, porque 'Caminho para o Nada' é infinitamente superior a 'Um Lugar Qualquer', que sagrou-se vencedor.

Sacam 'Cidade dos Sonhos'? Pois a vibe é essa: um diretor obcecado com a adaptação para o cinema de um crime real que aconteceu na Carolina do Norte; uma blogueira que vendeu os direitos de seus escritos para Hollywood; uma atriz de quinta que se submete ao filme, ao diretor e aos poucos emerge dessa salada transformada; um investigador de uma seguradora que ronda a produção do tal filme. Junte isso ao crime em si, e as filmagens das cenas reais, e temos 3 linhas narrativas que misturam o tempo inteiro, criando fascínio a frente de nós. Como se trata do mesmo elenco representando várias versões de uma mesma situações, o jogo de espelhos da metaliguagem do filme enriquece gradativamente, e aos poucos nossa sanidade vai sendo colocada tão a prova quanto à das personagens.

A pressão sob a qual Tarantino sucumbiu com certeza seria bancada por David Lynch, já que o filme transpira situações 'lynchianas' a todo momento. Uma espécie de obra que não se explica e que sentimos a cada novo 'frame' como o bizarro pode conviver com a normalidade a todo tempo. Um elenco que entendeu a proposta do filme tem representado em Shannyn Sossamon a expressão máxima da entrega. Daqueles filmes que não irão demorar a se tornar 'cults', o filme é um 'neoclassico' instantâneo onde a cada nova virada por cima de sua estrutura de metalinguagem entendemos mais o desprezo por Hollywood nutrido por Monte Hellman. Ou por Mitchell Haven (é deliciosamente explícito o jogo das iniciais). Ou de ambos. Se deixe levar por imagens desconcertantes e compartilhe o prazer de uma experiência que não se consegue diariamente no cinema.


NOTA: A+

* Aqui é o Meu Lugar:



Da expectativa fenomenal que se formou em torno do encontro do diretor de 'Il Divo' e do astro americano vencedor de 2 merecidos Oscars, Cannes esse ano observou tal expectativa da forma mais escrota, como se estivessem decidindo que 'diante de tantos filmaços que vimos, chega de acharem que tudo é meravilhoso e vamos falar mal desse aqui'. Diante de um Sean Penn diferente do que imaginavam (mesmo que a bizarra imagem do astro já estivesse sendo divulgada bem antes da seleção para o Festival), a reação da imprensa e do juri foi ignorar. Com isso, perderam a chance de apreciar a contento um novo baile de direção de Sorrentino, um filme imune a defeitos.

Penn é Cheyenne, cantor de rock de sucesso nos anos 80 que hoje já não frequenta as paradas de sucesso e vive recluso numa mansão irlandesa. Ao lado da esposa (a grande Frances McDormand), Cheyenne não faz muita coisa a não ser visitar duas famílias de fãs seus e manter amizade com a irmã de um deles, tão excêntrica quanto ele. Ao tomar conhecimente da iminente morte do pai que ele não vê há 30 anos, o astro volta aos EUA, para o interior de sua família judia. E é durante o velório que ele é informado que seu pai teria achado o homem que o torturou no campo de concentração de Auschwitz. O que fazer mediante isso? Qual seria a função, a essa altura do campeonato, de tentar localizar esse homem? Cheyenne também não sabe as respostas, mas decide ir até ele pelas estradas americanas.

Um road-movie com imagens que remetem ao que de melhor Win Wenders já produziu, Sorrentino explora a atmosfera americana e extrai poesia de rodovias e cenários, sempre com o sarcasmo rasgado das frases que Penn profere. É graças ao roteiro conciso, à fotografia poderosa, à felicidade de encontrar mais um Sorrentino pleno de talento, que tudo que é menor é colocado de lado aos poucos pelo filme. Quando enfim percebemos como Sean Penn cresce e amadurece durante a projeção. Belíssimo.


NOTA: A+

* O Morro dos Ventos Uivantes:






Vejam a foto acima: este é Heathcliffe, quer voces queiram ou não. Não juntam o nome a pessoa porque Heathcliffe nunca foi retratado por um negro, embora provavelmente seja o que ele é. Tratado como um escravo pela família que o adotou, Heathcliffe cresceu observando a irmã de crianção Elizabeth. A diretora Andrea Arnold (dos incríveis 'Marcas da Vida' e 'Aquário') concebe a versão definitva do clássico de Emily Brönte. Sempre tratado com reverência e formalidade, o livro ganha aqui as nuances que Arnold disse sempre ter observado: a ligação daqueles personagens com o meio em que vivem, no caso ali as montanhas sem fim que os cercava; fazendo da natureza e da relação do homem com ela quase protagonistas, a diretora consegue como resultado seu melhor filme em 3.

A história é exatamente a mesma: após ser criado por uma família pouco abastada como filho, Heathcliffe logo percebe seu lugar quando o pai da família morre. O carinho que Elizabeth sentia por ele vai sendo diluído por tantos castigos que o irmão impinge a ele, e os anos passam. Heathcliffe foi embora, mas volta e encontra o amor de sua vida casado. Com posses, o rapaz vai tentar reconquistar a atenção de sua amada de forma pouco usual, e aos poucos eles vão saindo do torpor romântico e mergulhando na miséria de acusações e mágoas antigas.

Arnold sabe exatamente o que quer, e ao envolver toda a natureza nessa história de amor proibido clássica, obtém o resultado mais que perfeito, com um elenco de novatos simplesmente perfeito. Com a ajuda de uma
fotografia esplêndida. a diretora caputura imagens simplesmente da forma mais poética possível, e não demora a criar vínculo com ninguém mesmo que sua narrativa não seja exatamente um exemplo de reviravoltas e 'pseudo' ação. Na pungência de seu roteiro, Arnold acaba se aproximando do seus longas anteriores também nas imagens mais sensuais do Festival. Um filme imperdível.


NOTA: A+

* Amanhã Nunca Mais:


Escute um conselho de amigo, Lázaro: não aceite fazer nada por amizade. Não foi por nada além disso que ele, o fotógrafo Ricardo Della Rosa, o músico André Abujamra, e ainda Milhem Cortaz devem ter aceitado fazer a estreia de Tadeu Jungle na telona. Um mestre da propaganda, não aprendeu que uma coisa não é igual a outra, e se arrisca numa atividade completamente nova saindo completamente desfigurado.

Vemos aqui o médico anestesista Valter que tem uma missão bem simples pela frente, que é pegar o bolo de aniversário da filha e levar para a festinha. Mas valter tem um terrível problema: ele não consegue dizer 'não'. Então nessa levada, Valter vai quebrando o galho de todos, e sua esposa desejando a morte para ele, a hora que fosse.