quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Enid no Festival do Rio 2011 - Cabin Days IV:

Hoje finalmente a tão aguardada revista com a programação do Festival chegou. Acho que talvez por conta disso, a movimentação ficou mais intensa na central de ingressos e podemos já ver o início do stress e da angústia. Vou parecer doido, mas sabem que acho isso tudo um barato? Não me importo nenhum um pouco em me esparramar naquele mesão do recém reformado Espaço SESC Rio (aliás, os cinemas ficaram uma graça com o layout do novo patrocinador) e ali ficar hora decidindo o que assistir, quando, encaixando e reencaixando datas e horários, mudando a agenda toda hora. Como todos dizem, isso também faz parte da magia do Festival. Nas cabines, o dia foi surpreendentemente bom, com 3 filmes acima da média.


* FunkyTown:



  De última hora decidi entrar nessa sessão, e foi uma excelente escolha. Eu achava se tratar de um documentário e hoje não tava bem para ouvir entrevistas e narrações em off. Pra minha sorte fui ler a sinopse e descobri que se tratava de um painel da 'disco music' nos anos 70 no Canadá, e os personagens que gravitavam ao redor dela em diferentes escalas. O diretor Daniel Roby laçou todos os maiores hits da época e criou a ambientação perfeita para uma história que, como a maioria delas, começa com o topo e termina com o fundo do poço. Com apenas 40 anos, Roby está em seu segundo longa e demonstra ao menos precisão no que quer.

  Como um bom painel, acompanhamos a vida de muita gente: Bastien é o apresentador de programa de tv e rádio super influente que acaba se apaixonando por uma alpinista social mesmo casado e tendo uma filha: Tino é um jovem dançarino que trabalha no restaurante da família e que não consegue definir sua sexualidade; Jonathan é um gay que trabalha no programa de tv de Bastien e vive em excessos, até se encantar com Tino; Mimi é uma mulher de mais de 40 que insiste em retomar uma carreira de cantora que já afundou faz tempo; Gilles e Daniel são pai e filho em pé de guerra, donos da boate de maior sucesso da atualidade, ponto de encontro de todos esses personagens. Conforme eles são se envolvendo e os anos avançando, percebemos que nada mais será como antes para eles, quase todos num caminho sem volta.

  O elenco é competente e dá conta do recado, e a soundtrack do filme é simplesmente eletrizante. Espécie de primo de 'Boogie Nights', ao menos no que diz respeito a visão dos anos 70 que ambos tem. Chamativo e exuberante, o filme escorrega no dramalhão algumas vezes, mas nada que comprometa o resultado final, pitoresco e cheio da vida que muitos desses personagens jamais terão.


NOTA: B-

* Raiva:



  Sendo vendido pelo Festival como "o primeiro filme de terror produzido por Israel", o filme é bem curioso e de certa forma original, ao menos na estrutura de seu roteiro e na forma como abdica de inúmeras cenas em prol da imaginação do espectador. Dirigido e roteirizado pela dupla Aharom Nehales e Navot Papushado, o filme tem cenas bastante fortes e nos faz pular na cadeira em algumas pasagens. Assim como 'FunkyTown', o filme teria também como classificar de painel pela forma como lida com os personagens. Outro dado interessante é ver essa ideia se aplicada numa produção cheia de sangue e sustos, nada batido.

  O ponto de partida do filme é o sequestro de um casal de irmãos adultos por um psicopata, sendo levados para um cativeiro numa floresta. Ao conseguir escapar desse pesadelo, não imaginam estar se envolvendo num ainda maior, já que a cada novo desdobrar do filme, um novo mal entendido perverso é cometido, em situações que vai caminhando cada vez mais para o lado do macabro, e até do humor negro. Duas amigas tenistas, um policial cuja esposa está grávida, um homem que acabou de deixar um recado na secretária eletrônica e ele terá de apagar.

  Com violência gráfica ao extremo e saídas super criativas para as reviravoltas do roteiro, o filme definitivamente não é para todos. Mas quem aguentar um sem numero de baldes de sangue, alguma escatologia, vai se surpreender com o roteiro bem amarrado e esperto, num filme cheio de sustos e que vale cada um deles. As lacunas que o roteiro deixa escorrer na tela também é fruto de um trabalho mais que consciente e tranquilo, que tenta dar algum ar renovado a um gênero que precisa de renovação constante.


NOTA: B+

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